Foi lavrado o que todos os praticantes de Kung Fu no mundo esperavam, a escolha de Beijin (Pequim) para os Jogos Olímpicos de 2008. Recentemente, o COI (Comitê Olímpico Internacional) reconheceu o Kung Fu (Wushu como é chamado na China) como Esporte Olímpico a partir de 2004. Porém, ainda como esporte demonstrativo e apenas em 2008 valendo medalhas.
O Kung Fu (Wushu), na China, é igualmente proporcional ao futebol no Brasil, é matéria obrigatória nas escolas. Os jovens do país sonham em ser grandes lutadores (dotados de grande prestígio), atores como Jackie Chan ou guarda-costas dos Senhores da China.
Tudo na cultura chinesa está ligado ao Kung Fu, danças, poesia, religião, cinema, ópera chinesa (refúgio antigo dos lutadores perseguidos), mitos, como o dragão e a fênix. Com a história, esta relação fica ainda mais próxima, os monges de Shaolin (exímios lutadores) foram instrumentos de vários imperadores em suas disputas contra o Japão e os Manchus. Com tudo isto, o Kung Fu se tornou parte importante da China, seja em manifestações culturais ou políticas, agora adaptado para o esporte, praticado pelo mundo a fora, levando sua mensagem de igualdade, força de vontade, equilíbrio e paz.
Apesar de todo o positivismo que carregam os professores da modalidade, hoje temos que levar em conta o que a popularização da arte vai causar de negativo. Para se formar como professor de um estilo de Kung Fu legítimo, leva no mínimo dez anos, e quem quiser levar vantagem com a crescente onda do Kung Fu, não vai esperar tanto. Veremos uma explosão de academias e professores desqualificados querendo sua fatia do lucro, justamente o oposto pregado pela arte chinesa.
Professores, praticantes e interessados devem ficar atentos a estas manifestações, pois o Kung Fu, com seus quase 5 mil anos de história, tem que resistir forte a estas mudanças e continuar enchendo os olhos de quem o admira. (Richard Leutz - RG: 27.214.361-3)