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BRONCOLINO, 1 ANO DE SAUDADE!

Valéria C. dos Santos Garbelotti
| Tempo de leitura: 2 min

Lembro sempre um fato na minha infância quando acordei chorando de um pesadelo. Meu pai, então, perguntou que sonho horrível era aquele. - Sonhei que você morreu papai! Ele sorriu e disse: - Foi só um sonho ruim. Dormi abraçada a ele e rezei muito para que aquele sonho não se tornasse realidade. Desde aquela época, muitas vezes ele nos falava como seria nossa vida com sua ausência, dizia que sobreviveríamos e que a vida continuaria a tocar seu curso e o que queria era estar presente nos nossos corações e lembranças.

Faz um ano que o terrível sonho aconteceu e ele mais uma vez tinha razão. Conseguimos tocar nossas vidas pra frente. Mas como dizia Chico Buarque em Pedaço de mim, nelas ficou faltando alguma coisa. As festas de aniversário, os almoços de domingo, as páscoas, natais, dias dos pais vão apertar o coração por muito tempo. Quantas vezes coloquei prato e talheres esquecendo sua partida! Ou peguei o telefone pensando em contar-lhe algum fato ou bati na porta esperando que ele atendesse. A morte é uma coisa estranha, como de repente me acostumar com o nunca mais? Mais difícil a aceitação se coloca quando se trata de alguém que fez diferença como meu pai. Durante todo este ano, as homenagens, as palavras, cartas e telefonemas de consolo me fizeram perceber a dimensão de ser filha do Broncolino.

Meu pai é memória permanente na história de Bauru, da imprensa, deste jornal que ele ajudou a fundar e erguer. Foi único e insubstituível. - O apagão, o fiasco da seleção, a subida do dólar, a prisão do Lalau, os acontecimentos da cidade, as últimas da rodinha na frente do Frans no sábado na Batista, seriam prato cheio para o velho Bronco com seu humor mordaz. Que ano meu pai perdeu!!! Bem sei que não agradou a todos, muito pelo contrário, foi pedra no sapato de muita gente. Mas fez se respeitar até por aqueles que não o viam com bons olhos. E sabemos, com orgulho, que muitas decisões históricas foram tomadas sob a influência de sua coluna diária. Ele não foi um jornalista. Ele foi o jornalista, o cidadão, o Broncolino. Incorporou o nome da coluna como o dele próprio e fez disto sua identidade, sua marca registrada. Tinha prazer no que era e amava o que fazia.

No dia de sua morte (20 de julho, dia do amigo) saía em sua coluna uma matéria sobre amizade. Disso ele entendia muito bem. Fez uma música junto com o maestro Badê - Bauru Querida. Com sua morte, Bauru perdeu um de seus grandes amigos. Deixou ainda um profundo vazio no humor e na crítica da nossa imprensa e no coração de sua esposa, filhas e netos, muito orgulho e uma imensa saudade. (Sua filha, Valéria Cristina dos Santos Garbelotti)

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