Enquanto Bauru disputa com atletas da casa, técnicos e professores temem que visitantes tragam equipes contratadas.
Nossas expectativas para os Jogos Regionais-2001 são ótimas. Fizemos um bom trabalho e esperamos o máximo empenho dos atletas, mesmo porque, nosso slogan é Quem teme perder já está vencido, afirma o secretário municipal de Esportes e Lazer (Semel), José Roberto Franco - o Sapé.
O otimismo dele é compartilhado por vários técnicos e professores ouvidos pelo Jornal da Cidade nesta semana. Eles afirmam que Bauru tem chance de conquistar pontos e medalhas em praticamente todas as modalidades, mas não descartam a possibilidade de surpresas de visitantes, que podem mostrar equipes fortes no decorrer do campeonato (leia mais no boxe).
Lógico que pretendemos a vitória. Mas vitória, no esporte, não é só conseguir um resultado, porque ser campeão ganhando de ninguém não tem graça nenhuma. O atleta sabe que atrás do resultado é importante ter organização, formação, técnica e, se possível, recordes, observa Sapé.
Atletismo
A escola de atletismo de Bauru funciona há aproximadamente três anos. Recentemente, a modalidade vem ganhando um importante apoio da Prefeitura Municipal. Há alguns meses, contando com verba estadual, a Semel adquiriu vários equipamentos para esta modalidade, garantindo um salto de qualidade aos atletas da casa.
Para o técnico desportivo municipal, Alcides dos Santos Gonçalves - o Cabo Alcides -, que atua na área desde 1965, esta retaguarda permitiu um treinamento mais intenso dos esportistas e indica a possibilidade de que a cidade conquiste grandes marcas nestes Jogos. Hoje, temos atletas bauruenses disputando o Troféu Brasil no Rio de Janeiro. São eles que vão disputar os Regionais. Este é nosso ponto mais eficiente: não importamos ninguém, estamos competindo com nossas próprias forças, os bauruenses, comemorou.
Segundo ele, vários atletas de Bauru que foram contratados por grandes equipes de fora já confirmaram presença. A grande expectativa agora é a vinda de Carlos Alberto, ex-preparador físico do Tilibra/Copimax, que está atuando em Goiânia há alguns meses. Carlos Alberto disputa quatro provas, que são o arremesso de dardo, disco, peso e salto em altura. No ano passado, ele conquistou 20 pontos para Bauru. Nós enviamos ofício solicitando a participação dele e estamos aguardando a resposta, porque estes 20 pontos seriam muito importantes para Bauru, contou Cabo Alcides.
Basquete
Bicampeã nos Jogos Regionais, a equipe de basquete do Tilibra/Copimax também promete bons resultados neste campeonato. Nós estávamos preocupados com a inatividade dos últimos tempos, mas nas últimas semanas, recebemos a Seleção Paulista Cadete para treinar aqui em Bauru. Eles vão representar o Estado nos Jogos da Juventude Brasileira, que serão realizados em Recife (PE). Nós estamos aproveitando a presença deles para treinos coletivos, o que garante um certo ritmo aos atletas, explicou.
Questionado sobre os piores adversários nestes Regionais, Martha Neto destacou que tudo vai depender do tipo de equipe que cada cidade vai trazer. Piratininga, por exemplo, tem uma boa equipe, com veteranos de boa qualidade técnica. Pirassununga, ao contrário, tem uma equipe de jovens da Força Aérea, que não têm tanto aprimoramento técnico, mas têm um excelente preparo físico, correm o tempo todo e podem cansar nossos jogadores. Mas temos algumas equipes, como Barra Bonita, Porto Ferreira, São Carlos, Borebi, que nós não sabemos que equipes vão trazer. Então, fica difícil prever. Mas estamos preparados para brigar pelo título, comentou.
Futebol
No futebol, as perspectivas também são boas, já que a equipe de juniores do Noroeste é formada pelos juniores que disputaram a série A-3 do Campeonato Paulista recentemente. Mesmo assim, o técnico Paulinho Amaral disse temer que o peso da responsabilidade exerça um papel negativo junto aos jogadores. Estamos trabalhando bastante, mas a responsabilidade triplica quando uma cidade sedia uma competição depois de 30 anos sem sediar nenhuma (Bauru sediou os Jogos Abertos do Interior em 1970). Teremos alguns adversários fortes, como Jaú, Santa Bárbara dOeste, Barra Bonita, que têm tradição nos Regionais. Vamos representar Bauru com dignidade, mas não dá para prometer o título, ponderou.
Já o técnico da equipe feminina de futebol, Billy Tibiriçá, comentou que aposta no entrosamento das jogadoras, que treinam juntas há quase três anos, para conquistar o título. Ele destaca que o time ficou numa chave muito forte, mas disse ter confiança de que é possível conquistar o ouro.
Vôlei
Para o presidente do Bauru Atlético Clube (BAC), Pedro Macéa, as chances de vitória da equipe de vôlei feminino deste ano são bem menores que as dos últimos anos. Apesar de sustentar um pentacampeonato nos Regionais, o time atual está defasado por indefinição do patrocinador - situação que só deve ser resolvido em agosto. Macéa afirmou que Jaú é, tradicionalmente, o principal adversário do vôlei feminino para Bauru. Tivemos uma equipe boa, lideramos a Liga, mas não estamos tão fortes como nos anos anteriores. Temos uma equipe formada por quatro atletas remanescentes que fazem faculdade em Bauru e várias esportistas do juvenil. Se as outras cidades vierem como sempre vieram, Bauru tem chances. Mas se vierem com equipes montadas, contratadas, fica difícil, porque estamos com uma equipe muito limitada, comentou.
Tênis de campo
Acho que temos chances de ir bem sim. Ano passado, fomos terceiro lugar no masculino, mas jogamos com idade livre. Agora, vamos jogar no sub-21, com dois jogadores bem fortes e quatro reservas. No feminino, também temos duas titulares e duas reservas, afirmou o técnico Celso Sacomandi. Segundo ele, o adversário mais temido, até agora, é Piracicaba. Mas estamos jogando em casa, o que dá certa segurança para a equipe, concluiu.
Xadrez
Na opinião do coordenador de xadrez da Prefeitura, Murilo Martha Aiello, as possibilidades de vitória dos bauruenses é grande tanto no feminino quanto no masculino. Lógico que vamos enfrentar equipes fortes, mas nossos jogadores estão bem preparados e esperamos chegar ao título mais uma vez, comentou.
Aiello lembra que o xadrez já rendeu 20 títulos nos Regionais, 24 nos Abertos do Interior, além dos 11 campeonatos brasileiros e quase uma centena de campeões paulistas. De 1960 para cá, só não fomos campeões em quatro Jogos, quando tivemos três vice-campeonatos e um terceiro lugar, comemorou.
Equipes importadas
Apesar de alimentar grandes expectativa de vitórias, alguns técnicos e professores ouvidos pelo JC mostraram-se temerosos quanto à formação das equipes adversárias. Eles lembraram que, nos primeiros anos da competição, só podiam participar dos jogos atletas que comprovassem morar na cidade representada há pelo menos dois anos. Recentemente, no entanto, esta regra foi eliminada, permitindo que os municípios contratassem equipes de qualquer outra região para disputar em seu nome.
Antigamente, quando falava que nosso adversário seria tal cidade, nós sabíamos contra quem iríamos jogar. Hoje não. O campeonato deixou de ser amador para ser profissional. Então, cidades pequenas, sem qualquer tradição numa modalidade, podem trazer um esportista forte que foi contratado em outro lugar para disputar com as cidades que jogam com seus próprios talentos. Para mim, isso acabou com a beleza do torneio amador, lamentou o professor e tenista Cláudio Sacomandi.
Para o secretário municipal de Esportes, Sapé, de nada adianta uma vitória de um atleta que vai embora. Porque o troféu, a medalha, significam o esforço materializado naquele momento, mas o verdadeiro atleta sabe que o importante é dar seqüência a isso, porque tornar-se campeão é muito mais fácil do que manter-se campeão - em tudo na vida, concluiu.