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Tensão e violência têm remédios?

(*)N. Serra
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Descrentes da carência e da ineficácia dos arremedos de soluções que os poderes públicos e outros setores adotam no País para minimizar, ao menos, alguns de seus principais problemas comuns, as populações e, no meio delas, muitas classes ou categorias sociais e profissionais, vão prescrevendo qualquer tipo de violência (o que é uma infelicidade) como único e efetivo remédio para debelar o mal que as afeta sem a menor piedade. É por esse motivo que a incidência ou a repetência de vários tipos de rebeldia humana aumenta desmedidamente em todos os cantos, urbanos e rurais, da imensa nacionalidade. Estão aí, comprovando a penosa assertiva, os surtos que vêm surgindo em importantes e até inexpressivos pontos do País que, no dizer da melodia, mostra poeticamente junto ao mar palmeirais, nos sertões seringais e no sul verde pinheirais. O mais recente, ou ainda em pleno e desastroso curso, está acontecendo na distante Alagoas, em cuja Capital, a bonita Maceió, está ocorrendo tempestuosamente terrível charivari, repetindo fatos idênticos registrados no igualmente belo Recife-PE, no histórico Salvador-BA e noutras cidades grandes deste grande Brasil brasileiro, meu mulato insoneiro, vou cantar-te nos meus versos, como se expressou Ary Barroso. E a problemática não pára nesse mourão, pois acaba de repetir-se na forma de quebra-quebras em Fortaleza-CE e Belo Horizonte-MG, não se olvidando acontecimentos que vêm se verificando em São Paulo e Rio de Janeiro. E o que se dizer das turbulências diárias, como assassinatos, sequestros, assaltos, roubos e toda uma variedade de delinquências praticadas em estabelecimentos industriais e comerciais, bancos, escritórios, residências e incêndio de ônibus, além daqueles que acontecem nas ruas? Uma coisa de loucos, tenta justificar o povão angustiado e medroso, lembrando da pior das perspectivas que lhe poderia assaltar a mente, como seja vir a ser incluído, em um inesperado e indesejado ensejo, como vítima escolhida dos criminosos indeterminados.

Encontrará a nação, algum dia, qualquer medida suscetível de a socorrer da situação? É a indagação que a sociedade formula aos poderes públicos, insistindo: Terá a nação de arrostar o drama por muito mais tempo que o já percorrido? Convenha-se que a solução poderia residir nas questões econômicas da coletividade, já que, segundo as estatísticas, somente 10% dos brasileiros dispõem de quase metade da riqueza nacional, a classe média participa dessa riqueza com pouco mais de 5% e o restante praticamente nada tendo uma vez que leva para seus minúsculos bolsos, mensalmente, menos de dois salários mínimos. A equação da violência e da tensão que estremecem as bases da nação está aí, refletida claramente nas diminutas condições sociais e financeiras da população, com a quais se tentam justificar os desmandos de espírito que resultam em toda a série de crimes e contravenções que vão conferindo ao Brasil se não o título máximo, ao menos os primeiros lugares entre os países de mais violência do mundo. O que é lastimável. É fora de dúvida que, sem emprego e outras fontes lícitas para obtenção de recursos para assassinar a fome e outras necessidades, há milhares de pessoas por aí sendo obrigadas a recorrerem à violência para consegui-los. É a nossa opinião.

(*) O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas

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