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Parceria viabiliza atendimento via SUS para infertilidade

Redação
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A Maternidade Santa Isabel já está atendendo casais com problemas de infertilidade. O serviço está sendo oferecido há cerca de um mês, para pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), mediante encaminhamento do posto de saúde. A informação é do médico ginecologista José Luiz Castilho, diretor da maternidade.

O atendimento aos casais com problemas de infertilidade está sendo realizado no Centro de Reprodução Humana da Maternidade Santa Isabel, que funciona há cerca de um mês, através de uma parceria entre a Associação Hospitalar de Bauru (AHB) e a Gestar, uma clínica privada que já desenvolvia o serviço no Município, com pacientes particulares.

O Centro conta com uma equipe multidisciplinar para atender os casais: médicos ginecologistas, obstetras e urologistas, assistentes sociais e psicólogas. A finalidade da iniciativa, de acordo com Castilho, é atender a população carente e realizar pesquisas científicas.

Os exames e tratamentos contam com técnicas modernas, como o bêbe de proveta. Será o primeiro laboratório do Interior paulista a realizar esse trabalho. Existem poucos no Brasil. Em São Paulo, apenas dois, afirmou o diretor da maternidade.

Anteriormente, as pacientes do SUS que apresentavam queixas de infertilidade não recebiam encaminhamento pela ausência desse tratamento em Bauru destinado à população carente. Com o novo serviço da Maternidade Santa Isabel, serão atendidos dez casos por semana. Ainda não está chegando a dez. A população deve ser informada de que a maternidade dispõe desse serviço, observou Castilho.

A paciente encaminhada ao Centro de Reprodução Humana pelo posto de saúde passa, inicialmente, por uma pesquisa com o objetivo de investigar as causas da infertilidade do casal. Nessa pesquisa, temos um diagnóstico do que está acontecendo com o casal, por que eles não conseguem ter filhos, explicou Castilho.

Causas da Infertilidade

As alterações que podem levar à infertilidade são diversas, de acordo com o embriologista Paulo Mateus. Os problemas femininos que podem ocorrer são obstrução tubária; algum fator de ovulação, em que a mulher não ovula; endometriose, que é uma doença que também causa infertilidade na mulher. No caso dos homens, baixo número dos espermatozóides. São os casos principais, esclareceu o profissional.

O Centro de Reprodução Humana também oferecerá cirurgias às pacientes do SUS, quando necessário. Tem os casos cirúrgicos, e a maternidade também está oferecendo esse serviço. Se a pessoa tem trompa aderida, é feita uma cirurgia, nós colocamos a trompa no lugar e ela engravida normalmente, acrescentou o embriologista.

O tempo de duração de cada tratamento depende das implicações de cada caso, de acordo com Mateus. Não dá para a gente generalizar. Se o fator é ovulatório, é feito um estímulo para ela ovular e é feito o coito programado. Ou uma inseminação artificial - às vezes, o homem tem um número de espermatozóides médio. Então, com uma inseminação artificial, com o sêmen do próprio marido, é resolvido o problema, expôs.

O embriologista enfatiza que o atendimento é exclusivo a pacientes do SUS, que devem ser encaminhados através do posto de saúde. Aqui é só paciente do SUS. Então, será feita uma avaliação pela assistente social, para saber o nível sócio-econômico dessa paciente, para que outros casais que têm condições de pagar não ocupem as vagas daqueles que não têm condições, salientou.

Gestação de alto risco

Outra novidade da Maternidade Santa Isabel é a implantação do Ambulatório de Gestação de Alto Risco, que deverá começar a funcionar em agosto. A finalidade da iniciativa é reduzir o número de mortalidade de mães e recéns-nascidos que encontram-se no grupo de gestação de risco.

Atualmente, as pacientes que fazem parte do grupo de risco não recebem tratamento diferenciado. Os casos mais graves são encaminhados a outros centros de saúde em cidades como Botucatu ou até mesmo São Paulo. Com a iniciativa, Bauru poderá centralizar os atendimentos cada vez mais no Município, ampliando a qualidade e os tipos dos serviços oferecidos à população, de acordo com o médico ginecologista Marcelo Kanamura. Hoje, qualquer problema que a paciente tenha na gestação, será tratado praticamente da mesma maneira que é tratada uma paciente que não tem nada. A chance de ter uma complicação em decorrência disso é maior. Nós queremos pegar essas pacientes antes que aconteça isso. Ou, pelo menos, que ela tenha ciência do que ela pode esperar do caso. Por exemplo, uma paciente que tem pressão alta. Se acontecer alguma coisa, se ela for internada, você já sabe o que está acontecendo, disse Kanamura.

As pacientes passarão por triagem no posto de saúde. Por exemplo, tem pacientes com problema no coração ou diabetes. Se elas engravidarem, serão encaminhadas para a gente. A partir daqui, a gente vai acompanhar a gestação até o nascimento do bebê, disse o médico.

As complicações que surgirem durante a gestação também serão encaminhadas ao Ambulatório de Gestação de Alto Risco. Um exemplo é a pressão alta. No começo, está tudo normal. Num período da gravidez, começa a aumentar. Aí elas serão encaminhadas para a gente, expôs.

Inicialmente, o ambulatório deverá funcionar duas vezes por semana, com atendimento de 20 pacientes semanais. Se a demanda for maior, o ambulatório vai ter que crescer. Com certeza, com o decorrer do tempo, serão encaminhados casos de outras cidades da região também, observou Kanamura.

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