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Salmen quer adotar médico de família

Tânia Fonseca
| Tempo de leitura: 4 min

Após conhecer como canadenses administram, com sucesso, a saúde pública, vereador proporá o modelo para Agudos.

Agudos - O atendimento na rede pública de saúde em Agudos pode ser melhorado substancialmente com a implantação de um projeto baseado em modelo canadense. Essa é a opinião do vereador e médico Samir Salmen que esteve visitando recentemente o Canadá e aproveitou para conhecer de perto como administradores de um país do primeiro mundo tratam a saúde. O segredo de tudo, explica Salmen, são investimentos corretos na prevenção.

Para aqueles que duvidam da possibilidade de um município como Agudos adotar com sucesso um modelo tão eficiente, o médico adianta que o projeto é perfeitamente viável: Se houver vontade política, podemos virar este jogo.

Apostando na viabilidade desse modelo em saúde pública para Agudos, Salmen pretende apresentar Projeto de Lei, já na primeira sessão legislativa, após o recesso, propondo a adoção do novo sistema.

No Canadá, explica Salmen, não existe medicina privatizada, todo o atendimento de saúde é prestado pelo Estado, isto em virtude do governo canadense recolher praticamente 38% bruto, via imposto de renda, de todo o cidadão e devolver isto em alta qualidade de vida. Hoje são cerca de 32 milhões de pessoas (a população do Canadá assistida pelo Estado). Os países de primeiro mundo, diz o vereador, investem algo entre 5 e 8% de seu PIB em saúde para seus cidadãos - o Brasil não mais que 2%.

Porém, se levarmos em conta que somente 15% da população brasileira detém um plano de saúde privado, temos hoje praticamente 120 milhões de brasileiros atendidos pela rede SUS já que, constitucionalmente, o Estado assegura direito à saúde. Assim, teoricamente, diz Salmen, os Governos Federal, Estadual e Municipal dão assistência a quatro Canadás juntos, sendo que para a assistência primária, a nível de postos de saúde, os municípios não recebem mais do que R$ 1,00 ao mês por habitante.

O segredo para o alto investimento na saúde de seus cidadãos, lembra o médico, é que países como o Canadá apostaram firmemente na chamada medicina preventiva, ou seja, acompanhando e rastreando a população, diminuíram de maneira drástica as complicações de doenças crônicas que uma vez pioradas custam muito quando geram internações hospitalares.

Médico de família

Assim surgiu a figura do médico de família que nós deveríamos incorporar, diz Salmen explicando que esse processo consiste em um profissional médico generalista, ou seja, capaz de dar atendimento clínico ambulatorial em setores básicos da saúde como a puericultura e pediatria geral, clínica médica, pré-natal e exames laboratoriais básicos.

Por setores

Para que o atendimento funcione de maneira adequada, Salmen explica que as cidades são divididas em setores, com cerca de 20 a 30 quarteirões, naquelas com mais de 1 milhão de habitantes e de 10 quarteirões formando um hexágono e, neste setor, o município compra ou aluga uma boa casa e ali das 8h às 20h, médicos generalistas atendem e seguem a população daquele bairro.

Para Agudos

De acordo com o médico Samir Salmen, em Agudos é possível substituir estes generalistas por um grupo de três profissionais médicos, sendo um pediatra, um clínico geral e um ginecologista, que trabalhariam em conjunto com um assistente social, dois auxiliares de enfermagem e um odontólogo, todos em dois turnos.

O segredo, explica ele, está no fato de a população daqueles bairros não poderem ser atendidas em outros locais senão com um encaminhamento ou referência do seu médico de família. Assim, não há superlotação em nossos pronto-socorros, com casos que não constituem urgências. Programas como de hipertensos, diabéticos, reumáticos e outras doenças crônicas são seguidos em seus próprios bairros e conforme Salmen, complicam muito menos porque são vigiados com mais rigor. Para tanto, os pacientes recebem um cartão magnético e só podem ser atendidos em seus bairros de origem, excetuando as urgências.

Pelos cálculos de Salmen, para a implantação desse sistema de atendimento em Agudos, a cidade teria que ser dividida em quatro setores. O primeiro englobaria a Professor Simão, Taperão e Viela do Café e cujos moradores seriam assistidos pelo atual Centro de Saúde I e por um Núcleo de Médicos de Família colocados estrategicamente ao lado da Escola Sesi.

Um segundo setor incluiria Jardim Cruzeiro, Santa Angelina e Jardim Márcia, assistidos pelo atual Centro de Saúde Michel Ayub e por um Núcleo de Médicos de Família posicionado estrategicamente na parte baixa, próximo à chamada Pavimentação.

Num terceiro grupo estariam a Vila Vienense e Santa Cecília assistidas, em sua parte alta, pelo atual Centro de Saúde II e um Núcleo de Médicos de Família colocados à rua José Salmen na transição com a Bairro Professor Simão. O quarto bloco englobaria Cohabs IV, II e CDHU assistidos exclusivamente por dois núcleos distintos de médicos de família.

Custos

Cada núcleo custaria em média, para Agudos, hoje, segundo Salmen, considerando aluguel do imóvel, salários de médicos e outros profissionais, cerca de R$ 17 mil ao mês. Ou seja, para Agudos, com cerca de R$ 80 mil é possível dar uma assistência preventiva de boa qualidade à população, tendo que levar em conta que, hoje, o município gasta mais do que R$ 60 mil com pronto-socorro e outras terapias urgenciais.

Sabe-se ainda, afirma Salmen, que 50% do atendimento no pronto-socorro não é emergencial e sim ambulatorial. São indivíduos que não conseguem atendimento nos Centros de Saúde da cidade, que estão sucateados. Se houver vontade política podemos virar este jogo!

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