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QUE PORCARIA!

Dionísio Molina
| Tempo de leitura: 3 min

A cidade de Bauru está mesmo emporcalhada. Até quando irá essa coisa! Por qualquer rua que se ande, para qualquer lugar que se olhe só se vê muros, residências, fachadas de edifícios pixados, rabiscados com suas pinturas completamente danificadas. A pintura de um imóvel custa caro. A tinta, seja o látex, esmalte, tiner e outros produtos utilizados na pintura de imóveis, é dos materiais mais caros utilizados na construção civil. Danificar a pintura de uma construção é destruir o patrimônio alheio. Isso só pode ser crime. Já era tempo de nossas autoridades tomarem medidas enérgicas e porem cobro a essa situação. A Polícia Civil parece que não tem condições de sanar esse problema porque os pixadores atuam na calada da noite. Fazer um seguro também não adianta porque pixar uma parede não se trata de um sinistro, de um desastre. Então, se um proprietário tem um elevado prejuízo com mão-de-obra e material de pintura para refazer a pintura de sua propriedade, se ele segurou o seu imóvel não terá o devido ressarcimento desse prejuízo.

Aqui na nossa rua uma senhora mandou pintar a sua residência. Sem dúvida nenhuma que o fez com dificuldade, porque sabe-se que não é gente de muitas posses. Perceberam que a casa estava recém-pintada e já vieram e riscaram, sujaram e escreveram obscenidades. Da sacada da casa da gente vê-se a toda hora aquela imundície. Riscos, desenhos que não significam nada. Obra mesmo de um perturbado mental. Porque um indivíduo faz uma coisa dessas é assunto para um psiquiatra discorrer, para o que não temos nós a necessária competência. Tudo indica, contudo, que um pixador age dessa maneira porque se sente diminuído, desvalorizado socialmente, e se sente agredido, ofendido pela propriedade de outrem. Em todo caso, nem todos os que possuem um imóvel são verdadeiramente ricos. A maioria que tem fez sacrifício para possuir a sua segurança e merece o devido respeito. E quem é rico é porque lutou, economizou, não gastou o seu dinheiro com futilidades e soube se conduzir na vida. Então, chegou a hora de nossa sociedade se mobilizar contra essa situação. Se a Polícia Civil enfrenta os seus problemas e não tem condições de dar uma cobertura cabal para o povo da cidade, quando se entrega aos braços de Orfeu, que se crie a guarda municipal, se reforce a guarda noturna, já que o prejuízo dos proprietários vai-se acumulando e a cidade se enfeiando cada vez mais.

Se tudo isso não for possível, a vereança de nossa Câmara que trabalhe no sentido de criar uma lei exigindo a devida documentação de quem compra tinta: CIC, RG, número do registro da planta na Prefeitura, se for obra nova, local onde a tinta será utilizada, cor, marca. Com todos esses dados será mais fácil ir atrás do pixador. Existe uma fita de Carlitos em que ele faz o papel de um vidraceiro. Corria a cidade atrás de residências com vidros quebrados que necessitavam ser trocados. Arrumou um garoto que ia na frente. O garoto metia uma pedra numa vidraça, quebrava um vidro, depois o Carlitos aparecia para colocar um novo. Parece que nesse imbróglio todo, quem está ganhando mesmo são os vendedores de tinta... (Dionísio Molina)

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