Das minhas longínquas aulas de Literatura de outrora, me veio essa lembrança. Um gazel é uma espécie de poema lírico, do século XIV, tornado conhecido por causa do poeta que o imortalizou, Hafiz, poeta persa desse mesmo século XIV. Com essas lembranças, vieram-me várias reflexões, a propósito de artistas de outrora, que mereceriam um poema de Louvor. Lembrei-me então dos monumentos, igrejas, palácios, catedrais imensas que levaram anos e gerações sendo construídos. E eram construídos pelas duas instituições que mais contribuiram para o embelezamento arquitetônico do mundo: a monarquia e a igreja. É verdade que exploravam o povo, o trabalho era quase escravo e pouca recompensa recebiam os trabalhadores, os artistas. Mas o fruto dessa exploração aí está, até hoje, para gáudio e desfrute de todos. E os que exploram e escravizam nos dias de hoje em seu próprio benefício, nada deixando para o bem comum, para a coletividade? Tanto quanto os artistas de outrora eram explorados e ignorados quanto o são hoje os pedreiros, arquitetos, artesãos que contribuem para as construções desses apartamentos mirabolantes dos Nicolaus da vida e em proveito só deles.
A esses artistas, arquitetos e artesãos de hoje e de outrora, eu gostaria de fazer um gazel, inspirado em gratidão, respeito e admiração.(Isolina Bresolin Vianna - Academia Bauruense de Letras - cad. 12)