Geral

Os protestos antiglobalizados

(*)Valmor Bolan
| Tempo de leitura: 2 min

Têm se tornado comuns os protestos antiglobalização de movimentos e ONGs, grupos contestatórios da nova ordem global, em diversas partes do mundo. Geralmente, as manifestações ocorrem quando os principais líderes dos oito mais ricos países do Primeiro Mundo se reúnem para discutir temas de economia e política internacional, entre outros assuntos de interesse do G-8.

A novidade do movimento antiglobalização está no uso da violência. Não se trata-se de grupos organizados que buscam denunciar os aspectos perversos do capitalismo pela via do diálogo, em busca do consenso. Não. Esses grupos têm agido - em muitas ocasiões - como milícias fascistas. Longe estão do ensinamento de Gandhi, que não só propôs o questionamento das estruturas injustas, mas utilizou-se do pacifismo como método político eficaz para a obtenção dos resultados desejados.

Como afirmou o editorial de O Estado de São Paulo (18.07.01), esses hooligans sociais se caracterizam por atos de vandalismo, agressão física e impedimento do direito de ir e vir. São uma mistura estranha de muitos oportunistas que buscam a prática de uma espécie de ecoterrorismo, com propósitos mais de desestabilizar o sistema do que apontar soluções realmente construtivas. Muitas das críticas possuem até fundamentação. No entanto, esse movimento peca pelos métodos, os mesmos utilizados por nazistas, fascistas, comunistas e tantas outras forças sociais totalitárias de tristes antecedentes em nossa história.

Na verdade, concordando com o editorialista do Estadão, podemos encontrar todo tipo de oportunistas nessas manifestações - órfãos do socialismo, agricultores do Primeiro Mundo interessados na manutenção de barreiras contra a importação dos produtos primários dos países subdesenvolvidos e em desenvolvimento, sindicatos de indústrias do Primeiro Mundo que não querem a concorrência das do mundo em desenvolvimento, ecologistas, punks, anarquistas, etc.

O extremismo das manifestações não justificam as ações dos rebeldes. De fato, como diz o sociólogo alemão Ralf Dahrendorf, ao analisar o fenômeno, há uma base real na angústia difusa que une esses manifestantes. No entanto, os seus procedimentos relembram desesperos do passado, que culminaram em horrores que a humanidade não espera ter de reviver no século XXI. O mal-estar da civilização não é realidade nova. Até agora não foi possível encontrar modelos sociais sem as deficiências que conhecemos, porque não é fácil conciliar liberdade com justiça.

Segundo Dahrendorf, os manifestantes (que atacaram em Seatle, Nice, Praga, Quebec, Gotemburgo e, mais recentemente, Gênova), são reacionários - porque desdenham da política e erigem a força bruta em forma legítima de expressão de dissenso. Deles só há a esperar mais do mesmo, salienta o editorial.

Em nome da defesa da vida, do meio-ambiente e da justiça social, os rebeldes emergem em fúria fundamentalista, evidenciando a dificuldade em propor soluções, dentro do consenso. O movimento antiglobalização perde credibilidade agindo com violência. Ganhariam mais se investissem em campanhas de conscientização.

(*) O autor, Valmor Bolan, é doutor em Sociologia, diretorsecretário da Sociedade Educacional Sulsancaetanense Soesc. E-mail: valmorbolan@uol.com.br

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