Dono da mais tradicional frota de ônibus coletivos do município, a Empresa Circular Cidade de Bauru (ECCB), Alexandre Quaggio completa, hoje, 90 anos de vida. Nascido em 1911, tendo começado sua carreira ajudando o pai e, depois, como marceneiro e mecânico, ele afirma que seu sucesso exigiu garra e muita sorte. Com seis, sete anos de idade, já ajudava meu pai a picar cana para tratar dos animais que puxavam suas duas carroças, contou. Com 12 anos, fui trabalhar numa marcenaria e em um ano eu já fazia qualquer móvel. Depois, em 1927, aprendi mecânica e consertei muitos carros. Naquela época, existia um empresário que tinha três ônibus. Eu sempre consertava os ônibus e ele não tinha dinheiro para me pagar. Depois de um tempo, ele acabou entregando a empresa (os três ônibus) para mim, como forma de pagamento, disse.
Este seria o começo de uma enorme empresa. De acordo com Quaggio, ele tentou incansavelmente vender os veículos, mas ninguém se interessava em comprar. Não querendo ficar no prejuízo, ele consertou as máquinas e continuou o trabalho. Demorei dois anos para conseguir ficar elas por elas, quer dizer, para conseguir que os ganhos cobrissem os gastos. Aí comprei mais um ônibus velho, lembrou.
Em 1942, por causa da 2.ª Guerra Mundial, período em que óleo e gasolina sofreram um aumento absurdo dos preços, Quaggio teve que adaptar seus veículos com o sistema gasogênio, que alimentava os motores com a queima de carvão. Quaggio destacou que gastava 15 sacos de carvão por dia, mas cumpria regularmente os horários do trajetos, usando um despertador para não falhar.
Em 1946, ele começou a comprar ônibus novos. Em 1950, sua frota já somava 11 veículos. No auge da ECCB, cerca de cinco anos atrás, a empresa reunia 238 carros, sendo que 60 eram veículos de reserva. Aí vieram as outras empresas e as coisas mudaram. Depois de 60 anos transportando todo mundo, dando serviço para tanta gente, colocando ônibus em cada vila nova, hoje, eu não transporto nem a metade dos passageiros da cidade, desabafou.
Questionado sobre seus estudos, Quaggio sorriu e confessou, timidamente, que nunca gostou da escola. Ele afirmou ter cursado apenas a primeira série primária e, depois, abandonado os estudos. Indagado, então, sobre o segredo de seu crescimento profissional e sobre a dica para seu sucesso, ele atribuiu a Deus e à sorte.
Veio tudo na minha mão, porque tinha que vir. Eu tentei muito vender aqueles ônibus e não consegui de jeito nenhum. Vieram os problemas e, graças a Deus, fui resolvendo. Estava tudo embaraçado e eu conseguia desembaraçar. Fui tocando. Acho que depende muito de sorte. Hoje, os jovens estudam até os 20-25 anos e só depois vão trabalhar. Eu comecei com seis anos, comparou.
E completou: O mundo tem que ser ricos e pobres para funcionar. Veja quanto serviço eu dei para os pobres e quando eles me deram. Penso que se fossem todos ricos ou todos pobres, todos nós morreríamos de fome.