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Médico quer usar robótica para dar mais precisão às cirurgias

Tânia Fonseca
| Tempo de leitura: 2 min

Cirurgias do aparelho digestivo, através da videolaparoscopia podem tornar-se mais precisas ainda se, à equipe de profissionais, for somado um braço mecânico que, conectado à mesa cirúrgica, desempenharia a função de filmar a operação.

A afirmação é do gastroenterologista Samir Salmen que, recentemente, junto com a mulher, a também médica Isabel Cristina Salmen, esteve visitando os dez hospitais da Universidade de Toronto, no Canadá, mais precisamente o SunnyBruck Hospital.

A cirugia robótica, diz o médico, representaria um grande avanço para Bauru e região mas, no momento, o problema está sendo o preço do equipamento, algo em torno de 50 mil dólares canadenses. Mas essa quantia não deve ser vista como alta se for considerado o retorno que o equipamento representaria, a médio prazo.

O equipamento, que os canadenses batizaram carinhosamente de Hermes, é muito fácil de ser utilizado. Antes da cirurgia, por cerca de 15 minutos, você fala, literalmente, com a máquina, fazendo com que uma central de processamento interno da mesma identifique seu tom de voz e os comandos básicos em inglês. Resumindo, o Hermes precisa apreender comandos básicos como left (para a esquerda), up (para cima), down (para baixo) e assim por diante. Após essa rápida aula, o equipamento torna-se apto a acatar até mesmo um pedido de desculpa, caso quem o estiver manipulando, decida voltar atrás numa decisão.

Salmen foi conhecer os hospitais canadenses a convite do também cirurgião gastroenterologista Sandro Baleotti Risoli. Os dois fizeram Medicina na Unicamp e atualmente Risoli é PhD na Escola de Medicina de Toronto. O Hospital SunnyBruck está completando cem anos de existência e história ligados à ciência médica, sendo que nele deu-se a importante descoberta da insulina que, hoje, possibilita a sobrevida de milhões de diabéticos em todo o mundo.

O casal de médicos tem visitado o Canadá anualmente, desde 1995, a fim de atualizações na área. E desta vez a cirurgia robótica me chamou a atenção. Por dez dias freqüentei com ele (Risoli) os Centros Cirúrgicos do East General Hospital, Scarborough Hospital e SunnyBruck Hospital.

Como cirurgião, Salmen conta que o que mais lhe chamou a atenção, foi a introdução da robótica na cirurgia do aparelho digestivo. Hoje, realizamos rotineiramente, em Bauru e na região, a chamada cirurgia videolaparoscópica, que consiste na introdução de uma óptica na cavidade abdominal, insuflada com o gás CO2 (dióxido de carbono) o qual permite a introdução de longas pinças, possibilitando ao cirurgião, operar sem abrir a parede abdominal do paciente e ainda ter toda a operação videoassistida ou seja, monitorada por uma tela de TV, com muito mais precisão que na cirurgia convencional.

Entretanto, diz o médico, o profissional que hoje filma a operação (uma espécie de 3º assistente) tende a ir desaparecendo, com a chegada do Hermes.

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