Na próxima sexta-feira será realizada uma reunião para discutir propostas relacionadas ao endividamento dos empresários do setor agrícola paulista. Segundo o presidente do Sindicato Rural de Bauru e vice-presidente da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo (Faesp), Maurício Lima Verde Guimarães, em nível nacional o total das dívidas do setor chega a R$ 28 bilhões. Desse montante, cerca de R$ 2 milhões a R$ 3 milhões têm vencimento marcado para o dia 31 de outubro. Trata-se de parte do parcelamento feito para um total de R$ 7 bilhões de dívidas. O restante será pago em até sete anos.
A reunião será feita com deputados que participam da Comissão de Agricultura da Câmara Federal, que levarão as propostas referentes ao Estado de São Paulo para o governo, a fim de que seja apresentada uma solução para a questão do endividamento.
De acordo com Guimarães, os empresários não têm como pagar as dívidas e isso inclui todos os setores primários, como o de açúcar, café, horticultura, entre outros. Segundo ele, entre as propostas que serão discutidas no dia 27 estão a estipulação de um prazo de 20 anos para a quitação das dívidas estaduais, com equivalência/produto. Isso significa que cada empresário irá se comprometer em pagar as suas dívidas em espécie, ou seja, com os produtos dos seus respectivos setores. A quantidade será definida a partir do valor do saldo devedor. Essa é a proposta preferida entre os empresários porque a realidade é que, no momento, não há como pagar. É importante deixar claro que não se trata de calote, e sim, da impossibilidade total de pagamento. Então, ou se estabelece uma saída normativa e legal para isso, ou haverá uma inadimplência geral do setor e o governo sabe disso, destaca Guimarães.
Outra proposta é a de excluir os setores que estão com maiores dificuldades. Porém, isso esbarraria em alguns problemas de ordem institucional que poderiam inviabilizá-la. Por isso, foi marcada a reunião que envolverá lideranças do setor agrícola de todo o Estado de São Paulo e representantes da Comissão de Agricultura da Câmara Federal. O objetivo é definir uma solução para o problema o mais rápido possível, já que o prazo de vencimento para o pagamento das dívidas está próximo.
A grande preocupação atual dos agricultores endividados é a definição dessa situação, mesmo porque isso inibe novos contratos. Ninguém vai conseguir, por exemplo, se habilitar no banco para fazer um financiamento, porque possui dívidas, observa Guimarães.