Os policiais, a maioria aposentados, reuniram-se na Praça Rui Barbosa. Eles querem reajuste salarial de 41,4%.
Investigadores da Polícia Civil de Bauru participaram de um protesto, na tarde de ontem, por reajuste salarial de 41,4% e contra a política de segurança pública do Governo do Estado. Eles reuniram-se na Praça Rui Barbosa, às 16 horas. A manifestação também foi realizada na Praça da República, em São Paulo, com participação de representantes de entidades da Polícia Militar (PM).
O delegado da Associação dos Investigadores de Polícia do Estado de São Paulo, José Carlos Vítor Oliveira, esclarece que o movimento tem como objetivo sensibilizar o governador Geraldo Alckmin a reabrir as negociações de reajuste salarial. O aumento escalonado de 6% a 10% que ele ofereceu é irrisório considerando a longa data que a classe está sem aumento. Estamos tentando ver se isso melhora até chegar aos 41,4% ou perto disso. O último aumento quem deu foi o Fleury. O Covas tentou tirar, mas não conseguiu. Tem policial que está há sete anos sem aumento, disse. O salário inicial de um investigador é de R$ 722,00.
Apesar de Bauru contar com cerca de 110 investigadores ativos, a maior parte dos que compareceram na tarde de ontem, na Praça Rui Barbosa, está aposentada. Acho que isso deve ser por medo de represália. O regimento é muito rígido, alegou o delegado da Associação.
Oliveira acrescentou que a intenção é negociar até o final, ainda que a possibilidade de greve não esteja descartada. O diálogo deve ir até o final. A greve é uma medida extrema, mas não está descartada. Até o momento, estamos reivindicando, tentando uma nova negociação. Possibilidade de greve há. Você vê na Bahia, em que a greve foi nefasta, mas foi uma greve justa. Todo trabalhador tem direito de exigir seus direitos, principalmente o policial, que é um trabalhador especial - ele cumpre seu horário normal, mas fica 24 horas à disposição. Às vezes, chamam em casa e nós somos obrigados a atender, disse.
Já o investigador aposentado Nelson Osmar, conhecido por Galvão, destacou a importância de que as manifestações sejam pacíficas. Somos contrários a movimentos de rebeldia. A nossa manifestação tem que ser pacífica, para que a sociedade tome conhecimento da realidade por que vem passando tanto a Polícia Civil quanto a Polícia Militar, observou.
Devido aos salários que recebem, considerados insuficientes pela categoria, muitos profissionais necessitam trabalhar em bicos para complementar a renda familiar, de acordo com Galvão. Nossos policiais se vêem na obrigação de se voltar a um segundo ou terceiro trabalho para complementar a renda familiar. A manifestação é oportuna; não temos intenção de fazer com que a sociedade venha sofrer mais. Muito pelo contrário: queremos que nosso salário seja maior e queremos ser mais eficientes em nossas tarefas, afirmou o investigador.
PM
O protesto dos investigadores da Polícia Civil contou também com apoio de representantes da Polícia Militar, que compareceram à Praça Rui Barbosa. É o caso de Carlos Augusto de Carvalho, presidente da Associação dos Acidentados em Alto Risco da Polícia Militar. Estamos solidários a toda manifestação que houver em busca do resgate da dignidade no trabalho dos policiais, afirmou Carvalho.
O presidente da Associação acredita que as pessoas que administram atualmente as instituições estão alheias às situações vividas diariamente pelos policiais, nas ruas. Se os políticos vivessem a realidade das polícias, a situação seria diferente. O que vivemos hoje é uma política de destruição. Os que vieram, vieram para destruir o que havia. E quem está perdendo somos nós, a população. Antigamente, tínhamos instituições que funcionavam. Hoje, os policiais emendam bicos com trabalho e isso acaba colocando em risco a situação deles e da sociedade. Muitos moram em favelas ou na casa dos pais, ressaltou.
A regional de Bauru da Associação dos Cabos e Soldados da Polícia Militar também apóia as reivindicações realizadas por integrantes da Polícia Civil. Apoiamos o movimento deles, mas não podemos participar, no momento, pelo nosso regulamento, que é rígido, disse o presidente da associação, Aparício Batista Nascimento.
Ele afirmou que representantes de entidades das polícias Civil e Militar estiveram manifestando na tarde de ontem, na Capital, e que as entidades representativas da PM em Bauru ainda não têm orientação de São Paulo para realizar protestos semelhantes. Houve manifestação de todas as entidades de classe da Polícia Militar e Civil contra a Secretaria de Segurança Pública. Não queremos que o secretário nos represente. Queremos audiência direta com o governador para discutir a questão salarial. As entidades decidiram que o secretário não vai representá-las, salientou.