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Crise diminui vendas no comércio

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 5 min

Racionamento e alta dos juros geram reflexos negativos para o comércio, que prevê retomada para este semestre.

O racionamento de energia elétrica, a alta dos juros e do dólar e a crise da Argentina formaram uma mistura explosiva para o comércio. Somados, esses fatores desencadearam a retração dos consumidores e quedas acentuadas nas vendas, principalmente de produtos eletroeletrônicos e eletrodomésticos, variando de 20% a 60%. Dirigentes do comércio local assumem o momento difícil, causado pela atual crise econômica, mas acreditam na retomada das vendas neste semestre.

De acordo com a assessoria de imprensa de uma grande rede de varejo que possui loja no centro comercial de Bauru, os produtos mais afetados, em termos de vendas, pela atual crise foram o forno de microondas, freezer, lavadora de roupas e ar-condicionado. No geral, os setores de eletrodomésticos e eletroeletrônicos da loja sofreram uma queda média em torno de 60%, sobre o mesmo período do ano passado. Porém, o faturamento global da empresa não teria sido afetado, porque as vendas em outros setores cresceram bastante. É o caso dos móveis, que já registram vendas 50% maiores em relação às do ano 2000, segundo a assessoria de imprensa.

Como a empresa oferece financiamento próprio e possui a maior área do mundo para estoque de mercadorias, tem a possibilidade de criar muitas promoções e fazer grandes negociações com os fabricantes para oferecer preços bons e facilidades de pagamento. Além da promoção fixa da loja, que é de quatro pagamentos sem juros para todos os produtos, diversas outras foram criadas para aquecer as vendas, inclusive, dos produtos não atingidos pela crise de energia. As promoções estão movimentando as vendas. Então, o faturamento global da empresa não chegou a ser atingido pela crise porque alguns setores tiveram vendas muito grandes, informa a assessoria de imprensa da empresa.

Em outra loja também pertencente a uma grande rede, a assessoria de imprensa informa que a expectativa da empresa, para este ano, era de alcançar um crescimento de 15% a 20% sobre o resultado do ano passado. Porém, as diversas crises econômicas que estão afetando o País mudaram as previsões, que agora são de igualar o faturamento deste ano ao de 2000. A queda de vendas nos setores de eletrodomésticos e eletrônicos gira em torno de 20%.

De acordo com a assessoria, no momento não há nenhuma expectativa de retomada significativa das vendas. Há uma demanda reprimida para a qual ainda não prevemos uma mudança concreta. As pessoas pararam de comprar por medo do apagão e também por falta de informação. Muitos deixaram de comprar produtos que poderiam colaborar para a economia de energia em casa. No início, o medo todo foi causado pelo racionamento. Agora, a população já está lidando melhor com essa situação, mas voltou a se apavorar devido aos reflexos da crise argentina, da alta do dólar e dos juros, diz a assessoria de imprensa.

Faturamento

Em outra loja de departamentos consultada, o gerente Sandro Sodré Nogueira de Lima diz que a queda nas vendas de produtos dos setores mais afetados pelo racionamento gira em torno de 30%, em relação ao mesmo período (junho e julho) do ano passado. Em contrapartida, setores como os de móveis e informática cresceram, segundo Lima, em relação aos resultados de 2000. Isso significa que, no final deste ano, a empresa conseguirá equilibrar o faturamento com o do ano passado, sem contabilizar prejuízos.

Como as vendas de outros setores foram maiores que as do ano passado, vamos terminar o ano em equilíbrio com 2000. Além disso, temos expectativas positivas em relação à retomada das vendas a partir de agora, que as pessoas já estão mais habituadas com a situação, observa o gerente.

Em outra loja, a queda nas vendas dos produtos da linha branca (eletrodomésticos), eletroeletrônicos e eletroportáteis gira em torno de 20%, segundo afirma o gerente José Carlos da Silva. O microondas foi um dos mais afetados. Segundo Silva, enquanto que no ano passado, durante o período de promoção, a loja comercializava dez unidades por dia, atualmente esse número não passa de três.

Para suprir essa queda, estamos fazendo diversas promoções para aquecer as vendas de outros segmentos. Mas, nos setores mais afetados, ainda não notamos nenhum aquecimento. Dessa forma, acreditamos que o faturamento global deste ano ficará igual ao do ano passado, diz o gerente.

Comércio espera recuperação

O presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib), Cássio Carvalho, confirma os reflexos negativos da crise energética, da alta dos juros e do dólar no comércio. Porém, está otimista e diz que as promoções que estão sendo realizadas por lojas dos mais diversos segmentos estão atraindo os consumidores. A somatória de diversos fatores negativos que envolvem a economia do País causaram grande retração por parte dos consumidores e as vendas realmente estão desaquecidas. Mas, esse é o período ideal para as promoções de inverno que estão ocorrendo e já temos indicativos de tempos melhores pela frente, diz.

O presidente do Sindicato do Comércio Varejista (SinComércio), Walace Garroux Sampaio, diz que os meses de junho e julho estão sendo difíceis porque a crise energética afetou o comércio como um todo e não prejudicou apenas as vendas de eletrodomésticos e eletroeletrônicos.

Somada à crise da Argentina e à alta dos juros e do dólar, a retração inicial dos consumidores, que era em relação ao racionamento e ao medo do apagão, acabou aumentando e atingindo o comércio de uma maneira geral. O que se espera é que no segundo semestre haja uma recuperação, já que a população está sabendo lidar melhor com a questão do racionamento e, também, porque a crise argentina já fez os estragos que poderia causar no Brasil, ao que tudo indica. Então, a expectativa a partir de agora é positiva e de recuperação, diz Sampaio.

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