A proposta de venda do prédio da Câmara Municipal para viabilizar a construção de novas instalações divide a opinião entre os vereadores. De oito parlamentares consultados pelo JC, quatro se manifestaram contrários, dois favoráveis e outros dois preferiram ficar neutros.
O vice-presidente do Legislativo, Roberto Bueno (PTB), defende a proposta (veja matéria nesta página). Mas o projeto encontra resistências. José Clemente Rezende (PSB), João Parreira (PSDB), Rodrigo Agostinho (PMDB) e Renato Purini (PDT) se posicionaram contra a venda do imóvel da praça D. Pedro II.
Para esses vereadores, as instalações do atual prédio atendem à demanda das atividades da Casa. Eles ressaltaram a importância histórica do imóvel. Não conheço nenhuma Câmara que tenha um plenário igual à da nossa, diz Clemente, destacando os móveis de madeira talhados na antiga oficina de marcenaria da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil.
Só posso concordar com isso se o Município estivesse numa situação financeira extremamente privilegiada, com todas as necessidades das áreas de saúde, educação e saneamento básico atendidas, afirma Parreira. Não é hora de se perder tempo com isso, alfineta Agostinho. Ele lembra que o prédio está numa praça, portanto numa área verde que deve ser preservada pelo Poder Público.
De ínicio, sou contra vender esse imóvel para a iniciativa privada. Até concordo com a iniciativa se o prédio ficar para a Prefeitura, que poderá aproveitá-lo para abrigar, por exemplo, a biblioteca, opinou Purini.
Já o vereador Osvaldo Paquito (PL) soma com o vice-presidente da Câmara. Acho que temos que pensar grande. Sou a favor do progresso, de coisas bonitas e imponentes, diz um entusiasmado Paquito. Para ele, o prédio da praça D. Pedro II é acanhado e não oferece condições adequadas de trabalho. Precisamos melhorar nosso nível político.
Paulo Eduardo Martins Neto (PFL) defende que o assunto seja amplamente debatido com a sociedade antes de qualquer decisão. Sugiro a realização de uma audiência pública. Já o socialista Luiz Carlos Valle (PSB) acha que a proposta só é viável com a construção de uma cidade administrativa, que abrigaria instalações dos Poderes Executivo, Legislativo e do Judiciário.