Não quero que o adolescente morra por amor, mas que ele viva amando. Com esta sentença, a coordenadora do Programa Saúde do Adolescente da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, dra. Albertina Duarte, finalizou uma palestra realizada no primeiro semestre deste ano, em nosso Centro de Estudos Raduan.
Naquela ocasião, conversávamos com o grupo de jovens Novo Ideal sobre a questão da gravidez na adolescência. Durante o bate-papo, foi identificado que o número de casos de gravidez precoce é alarmante, pois são cerca de 1 milhão de partos de adolescentes por ano, o que não representa o total de casos, pois muitas meninas abortam e não entram nas estatísticas. É importante observar ainda que 54% dos partos registrados no Brasil são de garotas na faixa etária entre 10 e 24 anos.
Mesmo assim ainda há os que afirmam que as estatísticas são frias. Imagino que quem assim pensa ou não sabe o que é ser pai ou não olhou com atenção para esses dados. Do contrário, de frio, restaria apenas o arrepio na espinha ao imaginar filhos vivendo essa situação.
Pelo que aprendi junto aos jovens, a questão da informação como método de prevenção é essencial mas não suficiente. Para os adolescentes de hoje, manter relações sexuais faz parte do namoro e 90% deles conhecem os métodos contraceptivos. Portanto, a solução para o problema não está na educação, mas sim na formação do jovem e no estabelecimento de vínculos durante o relacionamento.
O papel reservado aos pais transcende o de dar simples palpites nas relações dos filhos. Eles devem dar suporte aos jovens, para que se fomente cada vez mais relações firmes e seguras, pois um adolescente sem auto-estima não vai ter auto-cuidado. Nesse sentido, é importante que ele esteja sempre participando de grupos, seja no esporte ou em qualquer outra atividade, pois a tendência da vida em grupo é um fator protetor, que cria referências e estabelece vínculos.
Como o maior problema para a maioria dos jovens é a auto-estima, muitas meninas que engravidam com 14 anos voltam a engravidar com 16 ou 17 anos. É como na escola. Quem já repetiu de ano tem a tendência de repetir novamente, apesar de já ter passado pela experiência. E o pior é que muitas destas meninas com gravidez precoce estão com o destino determinado, pois dificilmente voltam a estudar apenas 10% das garotas voltam - e quase nunca conseguem colocação no mercado de trabalho.
E para aqueles que pensam que só os mais pobres sofrem deste problema, cuidado! Os casos ocorrem em todos os níveis sociais. Apenas a administração do problema é que é diferente.
(*) Arnaldo Jardim é deputado estadual, engenheiro civil, foi secretário da Habitação em 1993, relator geral do Fórum SP Séc. XXI e presidente estadual do PPS.E-mail: arnaldojardim@uol.com.br