Gostar de pescar é gostar de peixes. Quanto mais conhecemos o comportamento e habilidade de cada espécie, maiores são as chances de sucesso na pescaria. Outro fator importante para aqueles que respeitam os limites da pesca, é saber como a liberação deve ser feita para que o peixe tenha condições favoráveis para sua sobrevivência, mas isso é assunto para outra edição.
No projeto de Reestruturação Social Ribeirinha, da Cesp, foi elaborada uma cartilha com informações interessantes sobre pesca esportiva e ecoturismo. O material é direcionado aos pescadores das colônias de Três Lagoas (MS), Presidente Epitácio e Panorama (SP) e foi organizado por Pedro Roberto Damasceno, que desenvolve um trabalho de conscientização do pescador. O material é amplo e coloca assuntos importantes para todos os pescadores, sejam amadores, profissionais ou esportivos.
Para o pescador iniciante, muitos detalhes despertam a curiosidade, como a visão e audição do peixe. Apesar da visão ser bastante variável em cada espécie, algumas espécies têm características semelhantes. Os predadores, por exemplo, possuem ótimo poder de visão. É preciso lembrar disso na hora de pegar um tucunaré. Por outro lado, há exemplos de espécies que não desenvolveram a visão por viver em ambiente onde este sentido não é importante, como cavernas e águas profundas. O bagre cego é um exemplo.
O campo de visão dos peixes funciona como uma grande angular. A retina é composta por células em forma de cones (responsáveis pela definição das cores) e os bastonetes (responsáveis pela distinção de contrastes). Nos peixes ósseos há predominância de cones, o que permite ver cores e ter amplo campo visual. Já nos cartilaginosos, predominam os bastonetes, que possibilitam maior sensibilidade à luz.
Todo pescador sabe que uma isca fedorenta atrai muitos peixes. Outros preferem as iscas doces, como as carpas. Há aqueles exigentes que só consomem iscas frescas. Isso porque os peixes têm a capacidade de sentir, na água, o cheio de substâncias favoráveis ou nocivas. Uma isca impregnada com óleo lubrificante, por exemplo, dificilmente vai atrair algum peixe. Algumas espécies possuem o olfato mais apurado que outras, em alguns casos para suprir deficiências em outros sentidos. O que não é regra.
A captação dos sons também é algo curioso. Não é à toa que os pescadores evitam fazer barulho às margens do rio, bater o remo ou mesmo conversar aos berros. O som se propaga na água mais facilmente que no ar, e os peixes sabem disso. Há espécies que se utilizam deste artifício para se defender, marcar território, demarcar sítios alimentares e agrupamento para reprodução. Os sons, no corpo do peixe, podem ser captados pelo ouvido interno, pela bexiga natatória e pela linha lateral.
Aliás, a linha lateral, localizada - como o nome mesmo diz - na lateral do corpo do peixe e na cabeça, é um complexo sistema sensorial formado por canais interligados, subcutâneos, com comunicação com a água através dos poros (escamas perfuradas). A água é um excelente condutor de vibrações, substâncias químicas, sons, etc. e traz para o peixe orientação de cardumes, batidas de remo, força de correntes marítimas, alteração na composição química e outras informações.
Cartilaginosos e ósseos
Os peixes cartilaginosos (chondricthyes) são aqueles que apresentam esqueleto constituído totalmente por cartilagem. São peixes como raias, tubarões e cações que estão entre as 550 espécies conhecidas dos cartilaginosos. Eles possuem dois pares de nadadeiras, suas escamas são do tipo placóides e existem de cinco a sete aberturas laterais na cabeça, pouco acima das nadadeiras peitorais.
Os cartilaginosos possuem dimorfismo sexual, que, nos machos, as nadadeiras pélvicas apresentam-se modificadas, formando uma estrutura chamada Clasper. Com o clasper, o macho introduz o sêmen na cloaca da fêmea. Elas podem ser ovovivíparas (embriões desenvolvem-se dentro do corpo da mãe, em bolsas, e eclodem no momento do nascimento), ovíparas (botam ovos) ou raramente vivíparas (desenvolvem-se no corpo da fêmea, alimentando-se de substâncias retiradas de seu sangue).
Já os peixes ósseos (osteichthyes) possuem esqueleto ósseo. São cerca de 20 mil espécies que habitam em água doce ou salgada. Há espécies com ou sem espinhas. A pele possui glândulas produtoras de muco que lubrifica a superfície do corpo. A flutuação do peixe na água está diretamente ligada à bexiga natatória, que existe acima do estômago. A bexiga natatória, por meio do processo de inflar e esvaziar, controla a densidade do corpo. Os peixes ósseos podem se reproduzir de forma interna ou externa, existindo, portanto, espécies ovovivíparas e ovíparas.