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14.º CONGRESSO EUCARÍSTICO NACIONAL

Frei Lourenço M. Papin
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Foi realizado em Campinas-SP o 14.º Congresso Eucarístico Nacional (14.º CEN). O primeiro Congresso Eucarístico foi internacional. Aconteceu na cidade de Lille, na França, em 1881, durante o pontificado do Papa Leão XIII, autor da famosa encíclica Rerum Novarum, que despertou a Igreja para as questões sociais. Interessante notar que a iniciativa desse primeiro Congresso partiu de uma leiga cristã francesa. Já foram celebrados 46 Congressos Eucarísticos Internacionais, sendo o último em Roma, durante o Ano Santo 2000, presidido por João Paulo II.

Inspirando-se nos primeiros Congressos Eucarísticos Internacionais, surgiram os numerosos Nacionais no mundo inteiro. No Brasil já foram celebrados 13, sendo o primeiro em Salvador-BA, em 1933, e o último em Vitória-ES, em 1966. O objetivo desses Congressos é conscientizar as comunidades para a vivência da Eucaristia em suas ricas dimensões bíblica, teológica, pastoral e social. A Arquidiocese de Campinas e a CNBB escolheram como lema desse Congresso Venham para a Ceia do Senhor, e como tema, Eucaristia, fonte da Missão e da vida solidária. O lema é um forte convite à participação ativa e assídua da Eucaristia. O tema contém dois enunciados, Missão e Vida Solidária, que conduzem a um aprofundamento do Mistério Eucarístico.

A Eucaristia é a síntese da vida do Cristo, o Missionário do Pai que veio para anunciar a Boa-Nova do amor, da solidariedade, da fraternidade universal, da liberdade, da justiça e da paz. Os cristãos, em força do Batismo, são chamados a ser missionários, isto é, a evangelizar, a transmitir essa Boa-Nova pela palavra e pelo testemunho de vida. Diz o Concílio Vaticano II: Toda a Igreja é missionária e a obra da evangelização é um dever fundamental do Povo de Deus (Ad Gentes, 35). O papa Paulo VI, com muita felicidade, assim se exprimiu: Evangelizar constitui a graça e a vocação própria da Igreja (Evangelii Nuntiandi, 14). A comunidade que vive a Eucaristia não se fecha em si mesma, mas abre-se para os outros, sem proselitismo, empenhando-se no anúncio da Boa-Nova do Evangelho. A Eucaristia é o Cristo que veio para servir, que nos amou até o fim e que por nós totalmente se entregou. Eucaristia é sinônimo de amor-solidário, de serviço e doação, sobretudo aos pobres e necessitados. Não sem motivo, Cristo, antes da instituição da Eucaristia, lavou os pés dos discípulos, num gesto humilde e expressivo de serviço e doação. O amor-solidário leva-nos à promoção da justiça que Paulo VI afirma ser parte integrante da evangelização. E só existe justiça, no sentido bíblico, quando as pessoas têm condições dignas de vida. Grave é a situação social do nosso povo, que clama por emprego, moradia, saúde, educação, enfim, por melhores condições de vida que respeitem a sua dignidade humana. Assim, para o cristão é contraditório participar da Eucaristia sem preocupar-se com a promoção da justiça.

A Eucaristia, singular presença de Cristo na Igreja e no mundo, é fonte e também inspiração, alimento e força para os cristãos serem missionários e evangelizadores onde quer que se encontrem, para serem agentes e promotores do amor e da solidariedade humana e cristã, numa sociedade marcada pelo desamor e egoísmo. Em preparação para esse Congresso, a Arquidiocese de Campinas preparou valiosos subsídios, entre os quais um bem elaborado Texto-Base apresentado também em linguagem popular e em literatura de cordel. O Congresso conclui-se, solenemente, com a presença praticamente de todos os bispos do Brasil reunidos em Assembléia Geral em Itaici, na vizinhança de Campinas. O episcopado brasileiro (cerca de 400 bispos, incluindo os eméritos) é o terceiro mais numeroso do mundo, vindo logo após a Itália e os EUA. Essa presença dará ao Congresso uma forte e visível tonalidade de comunhão e unidade da Igreja no Brasil. O 14.º CEN é sem dúvida um acontecimento marcante na vida da Igreja e do povo brasileiro, preponderantemente cristão e católico. (Frei Lourenço M. Papin)

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