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PROCLAMANDO O CRIADOR

Oscar Camaforte
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O caderno de Ciência da Folha de São Paulo de 23/4/2001 informou que Kasuhito Kinosita, cientista japonês, descobriu os motores celulares nanoscópicos (1 nanometro = 1 bilionésimo de metro), responsáveis pela montagem de moléculas que fornecem energia para o sustento das atividades das células dos organismos vivos. Perguntado se ele via utilidade prática para aquelas máquinas infinitesimais, Kinosita disse que sua motivação é apenas de entender a Natureza. Eu mesmo não tenho a menor idéia, exceto a de que Deus utilizou isso para produzir organismos vivos.

Fernando Gabeira, deputado federal, em sua crônica na mesma Folha de São Paulo de 7/5/2001, sobre uma manifestação que ele presenciou, do amor de um grupo de meninas por um grupo musical, afirmou: O amor pelos Backstreet Boys dava sentido, ainda que provisório, às suas (das adolescentes) vidas... o estar junto e encontrar um sentido na vida já não existem mais em política, muito menos em religião. Deus morreu e as utopias foram enterradas.

Na ocasião, Gabeira passeava de moto, à beira-mar, pela praia de São Conrado, segundo ele disse, para apreciar a beleza natural daquela parte da Cidade Maravilhosa.

Em minhas andanças de aposentado que precisa cavoucar alguns reais para agregar ao benefício que recebe do INSS, tenho tido a oportunidade de visitar, com alguma freqüência, o Norte paranaense. Numa dessas viagens, há quase três meses, era época de colheita de soja. Pecador que sou, não resisti, e parando o carro à beira de um magnífico campo dourado, arranquei um pé daquela leguminosa. Em casa, pacientemente, minha esposa debulhou todas as vagens daquele único pé e contou exatos duzentos e oitenta e cinco grãos. Quer dizer, de um só nasceram quase três centenas de grãos.

Em outra ocasião, voltando da Capital do nosso Estado, para driblar o pedágio do Km. 210 da Castelo Branco, tomei a estrada para Pardinho, que leva à Castelinho.

Ao subir a serra naquele fim de tarde, parei o carro e contemplei, extasiado, a grandiosidade do imenso vale que se descortina lá do alto. Tingido por um multicolorido pôr-de-sol, o céu, ao longe, parecia unir-se à terra, na linha do horizonte. Quiçá o cientista japonês e o deputado do Partido Verde, com suas afirmativas, estivessem apenas praticando exercícios de retórica, o primeiro referindo-se a um Deus Criador, o segundo declarando a Sua morte. Fico com a teologia ensinada pela imensidão do mar e a beleza do litoral carioca, pelos férteis campos do Norte paranaense e pelo extasiante panorama da serra de Botucatu, realidades naturais que proclamam a existência de um Deus Vivo, e ressoam um Hino ao Senhor, como afirma uma estrofe de conhecida melodia cristã. (Oscar Camaforte - RG: 3.640.192)

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