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Crami registra maus-tratos a irmãos

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

Um menino, de aproximadamente 3 anos, foi deixado sob guarda-roupas, supostamente pela mãe. Irmão estava no berço.

O Centro de Registro e Atenção aos Maus-Tratos à Infância (Crami) encontrou, ontem à tarde, numa casa do Jardim Redentor, dois irmãos deixados sozinhos na residência. O menino maior, de aproximadamente 3 anos, estava em cima de um guarda-roupas de mais de 1,5 metro de altura. Já o menor, de pouco mais de 1 ano, estava dentro do berço. Há suspeita de que os dois estavam na casa, sozinhos, já há bastante tempo, pois estavam com fome.

Os dois irmãos foram retirados da casa pela assistente social Rosimeire Cristina Alves, do Crami, na presença da Polícia Militar, e levados para o Conselho Tutelar, onde foram alimentados. A assistente social do Crami registrou de boletim de ocorrência na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) por abandono temporário e maus-tratos físicos.

Como não havia adulto na casa e as crianças praticamente não falaram, o Crami não tinha certeza sobre seus nomes. O menino maior chamaria-se G.C., e o menor, L. Já a mãe, que até as 16h30 não havia sido localizada, seria M.A.C., de 28 anos. Como estavam sozinhos na casa e apresentavam sinais de maus-tratos, os dois irmãos seriam abrigados provisoriamente em uma entidade, de acordo com Rosimeire.

As duas crianças seriam submetidas a exame de corpo delito, no Instituto Médico Legal (IML), ainda ontem. O menino que estava sobre o guarda-roupas apresentava um machucado no queixo e o menor, um hematoma em uma das pernas. Se caísse do guarda-roupa, o menino poderia sofrer sérias fraturas. O Crami e o Conselho Tutelar ficaram sabendo da situação dos irmãos do Jardim Redentor através de denúncias anônimas.

A assistente social Rosimeire contou que ontem foi a terceira vez que o Crami recebeu a denúncia de que os dois irmãos estavam sozinhos na casa e um deles fora deixado em cima do guarda-roupas para não sair para a rua. Por ocasião das duas denúncias anteriores, o Crami não confirmou a informação. Uma funcionária do órgão foi até a casa nas duas vezes, mas encontrou as crianças em companhia da mãe, aparentemente em situação de normalidade.

O menino maior, no entanto, estava com um corte no queixo, que a mãe justificou ser fruto de um tombo no banheiro. Ontem, o denunciante informou que a mãe das crianças havia saído de casa pela manhã - os dois irmãos foram localizados dentro da casa, que estava aberta, por volta das 15h30.

Maus-tratos podem deixar seqüelas

Maus-tratos podem deixar seqüelas, alerta a assistente social do Crami, Rosimeire Cristina Alves. Ela contou que o menino achado sobre o guarda-roupas numa casa no Jardim Redentor, ontem à tarde, apesar de ter aproximadamente 3 anos, praticamente não falou com a equipe do Crami e Conselho Tutelar.

O comportamento do menino pode ser conseqüência de maus-tratos, de acordo com Rosimeire. A criança que sofre maus-tratos tende a tornar-se insegura, medrosa, ter dificuldade de relacionamentos e apresentar dificuldade no aprendizado quando entrar para a escola.

Nos casos de maus-tratos a crianças registrados pelo Crami em Bauru, a mãe continua aparecendo em primeiro lugar entre os agentes agressores. O fato de, em maneira geral, a mãe ser a pessoa que fica mais tempo com o filho, contribui para ela ser a principal agressora.

O Crami e o Conselho Tutelar têm registrado um sensível aumento no número de ocorrências de maus-tratos à infância e abandono. As condições sócio-econômicas da população, que estaria pior nos últimos tempos, contribuiria para a agressão dentro de casa. Outro dado do Crami é que o número de casos registrados aumenta em época de férias, justamente pelo fato de as crianças ficarem mais tempo em casa.

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