Pode até não ser verossímil, mas é bem possível que a arquitetura moderna, adotada pelos bancos especialmente e outros estabelecimentos em particular, esteja favorecendo os assaltos a essas empresas, uma vez que, conforme as notícias que se têm, não poucas organizações do gênero vêm sendo invadidas, de tempos a esta parte, em função de certas inovações arquitetônicas ultimamente aparecidas no pedaço. Por que a aparentemente insólita suposição? Por que se pensar nisso, debitando a um problema assim técnico os ataques que sofrem empresas do setor? Porque, conforme observação de uma jovem senhora, que conosco comentava o assunto num dia destes, a avalanche que tem atingido certos estabelecimentos de crédito alcança também gente de sua clientela, abonada ou não, a qual, além de assaltada, expõe-se a agressões dos amigos do alheio, às vezes até caindo sem vida nos salões em que é mirada. A onda fez sua aparição ou se desenvolveu - observou a senhora - depois que as casas de crédito e outras passaram a adotar porta única para entrada e saída de seus clientes, porquanto isso passou a favorecer estrategicamente a ação delituosa dos bandidos, para os quais fica muito mais fácil e prático render quem vai entrando ou impedir a saída de quem o tente. Realmente, fica bem econômico para homens da gang, que, então, não precisam de muitos comparsas para perpetrar o assalto, eis que têm possibilidade de encher suas sacolas e escapulir sãos, salvos e milionários...
Vemos um punhado de lógicas no raciocínio da prezada moça e nos colocamos bem à vontade para nos posicionarmos contra a tal porta única das casas, cujos dirigentes não podem deixar de perceber o inconveniente, tão anti-social e perigoso que sem dúvida é tendo-se em vista os danosos efeitos que tem o condão de produzir. Diga-se, a bem da verdade, que os estabelecimentos, uma vez dotados de mais de uma via de acesso (entrada e saída) não só favorecem ao público como constituem entrave aos inconfessáveis propósitos dos meliantes, razão pela qual deveriam os seus dirigentes rever o problema, atendendo à conveniência e à segurança de seus usuários. Consequentemente, recambiamos a idéia às gerências dos estabelecimentos para que experimentem esquecer o modismo da porta única e retornem ao uso das duas ou três, como nos bons tempos em que os estabelecimentos nem de leve figuravam na mira dos pistoleiros do asfalto. Isso mesmo, porque talvez os piratas tenham mais medo das muitas portas do que de uma só pistola da polícia... É a nossa opinião.
(*) O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado