Um dos principais líderes do PCC iniciou a vida criminal na região. Era de S. Carlos e há 15 anos apavorou jauenses.
Um dos principais líderes da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) e bastante conhecido dos meios policiais de Jaú, Idemir Carlos Ambrósio, o Sombra, 41 anos, foi morto na manhã de ontem, na Casa de Custódia de Taubaté, penitenciária de segurança máxima, onde estava preso. O crime aconteceu por volta das 7h30. Segundo a direção do presídio, Sombra tomava banho de sol com outros dez detentos quando uma briga foi iniciada.
Os seis presos envolvidos na morte de Sombra serão indiciados por homicídio qualificado. Os presos não deram chance para a vítima se defender e usaram requintes de crueldade, disse o delegado Roberto Martins de Barros, da Seccional de Taubaté. Seu corpo estava estendido no chão, com uma corda no pescoço. Segundo o delegado, Sombra recebeu socos, chutes e teve a cabeça batida contra grades de ferro e chão.
Suspeita-se que o crime tenha sido praticado pelo próprio PCC, por divergências entre as lideranças. Os responsáveis pela morte de Sombra haviam sido transferidos de outros presídios para Taubaté neste ano. Segundo a Secretaria da Administração Penitenciária, eles estiveram envolvidos de alguma forma com a megarrebelião organizada pela facção criminosa em 18 de fevereiro, que atingiu 29 unidades prisionais.
O próprio Sombra teria sido um dos principais responsáveis pelo motim. Ele chegou a ser condenado pela facção por quebrar regras do PCC após a megarrebelião. Entre as faltas graves estaria a permissão que presos e suas famílias fossem extorquidos por outros detentos, que rebeliões fossem feitas aos domingos -quando há mulheres e crianças nos pátios das penitenciárias- e permitir que presos fossem mortos diante de familiares.
Durante o motim, Sombra estava na Casa de Detenção e foi transferido para Taubaté logo em seguida.
De acordo com a Secretaria, tiveram participação direta no crime os presos Vinicius Brasil Nascimento, que estava no Centro de Observação Criminológica (COC), na zona norte da cidade, e foi transferido em março deste ano; Luciano Fernandes da Silva, transferido de Mirandópolis em maio; e Carlos Magno Vito Alvarenga, que saiu de Presidente Venceslau para Taubaté em abril. E os presos Wilson Vitor Huchek, transferido do Paraná no mês passado; Fernando José Januário, que saiu de Iaras em maio; e Alex Aparecido Olimpia, transferido de Álvaro de Carvalho em abril, teriam tido participação secundária.
A Secretaria apontou ainda três presos que foram testemunhas do caso: Wilson da Silva e Emerson Souza de Almeida, que vieram do Paraná, e Roberto Carlos Martins, que estava no Centro de Detenção Provisória (CDP) do Belém, zona leste da cidade. Os três foram transferidos para Taubaté em junho.
Líder do PCC agia na região
Jaú - Idemir Carlos Ambrósio, 41 anos, é natural de São Carlos e no final de 1986 e início de 87 já tinha o apelido que carrega até hoje. Como bem lembrou o delegado seccional de Jaú, Benedito Antonio Valencise, os crimes onde o Sombra se evolvia eram considerados violentos. Em Jaú, dois roubos a residências de famílias tradicionais da cidade foram atribuídos a ele e seu grupo. Um dos crimes aconteceu em dezembro de 86 e outro em janeiro do ano seguinte. Segundo Valencise, as vítimas foram rendidas e ameaçadas de morte. Os bandidos não chegaram a ser presos em flagrante, mas logo após os crimes a polícia, principalmente o Setor de Investigações Gerais (SIG), iniciou uma verdadeira caça aos ladrões.
Alguns dias após o último roubo a polícia identificava e prendia Sombra, que passou algum tempo na cadeia pública de Jaú e depois acabou sendo transferido para outra prisão. Antes de chegar a Jaú, Sombra teria atuado em São Carlos. Segundo o delegado, o marginal chegou a cumprir pena numa prisão daquela cidade, de onde teria fugido. Naquele tempo, Sombra já era visto como uma espécie de líder que prometia sucesso na escalada do crime.
Na ficha criminal que até hoje existe nos arquivos da Polícia Civil de Jaú, consta que Sombra era garçon, casado e tinha 1,72m de altura. O delegado Valencise, que em 86 era investigador de polícia, conta que ao lado dos também investigadores Moreira, Sabio e Miguel, participou da equipe que trabalhou nas investigações e buscas ao grupo de Sombra.
(*)Colaborou Agência Folha