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CNBB dá mais autonomia a bispos

Fabiana Teófilo
| Tempo de leitura: 6 min

A reforma no estatuto da CNBB, já aprovada, dará mais autonomia aos bispos que coordenam trabalhos pastorais

Vários assuntos polêmicos foram discutidos durante a 39.ª Assembléia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), realizada em Itaici, Indaiatuba e que teve como tema: Vida e organização a serviço de sua missão.

Na ocasião, os bispos aprovaram um novo estatuto para adaptar a entidade às normas da carta Apóstolos Suos, de João Paulo II, que trata da natureza teológica e jurídica das conferências episcopais. Celibato, posição político partidária, mudanças no estatuto, foram alguns dos pontos tratados durante o encontro.

O mosenhor Enedir Moreira, que é administrador diocesano de Bauru, disse que esse tema esteve bastante latente e foi muito discutido. A questão da reforma dos estatutos da CNBB teve como motivação uma carta do papa João Paulo II datada de 19 de dezembro de 2000 e que pede a adaptação da CNBB à conjuntura atual da igreja, afirmou.

O presidente da CNBB, dom Jayme Chemello, anunciou que pretende entregar ao presidente Fernando Henrique Cardoso uma cópia do texto da declaração final da assembléia geral da entidade. O texto do documento, intitulado Brasil: apreensões e esperanças, afirma que existe um clima de angústia e perplexidade no País porque a sociedade brasileira está vivendo uma profunda crise ética, diante da qual já se manifestaram salutares reações, fazendo crescer a rejeição da impunidade.

Os bispos reunidos manifestaram sua angústia com relação à violência e à fome, além de denunciarem a corrupção, a insegurança e o impasse persistente da reforma agrária. Na avaliação da CNBB, o crescimento da violência pode ser fruto do desespero de muitas pessoas, mas é também uma reação diante da impunidade e conseqüência das injustiças.

De acordo com dom Aloysio Leal Penna, arcebispo de Botucatu, a conferência teve como tema central a revisão dos estatutos da CNBB. A CNBB está fazendo 50 anos e essa revisão, que foi preparada através de um projeto e enviada para todos os bipos do Brasil que participaram com sugestões, foi pedida pelo papa João Paulo II. O projeto, estudado em plenários e reuniões de grupos, foi apresentado na conferência e votado. Agora, o caminho é a aprovação final do papa, explicou.

Na opinião de dom Aloysio, essa mudança dará mais força aos departamentos da CNBB que serão, mais ou menos uns dez. A novidade, de acordo com ele, é que esses departamentos pastorais terão, cada um deles, uma comissão de bispos para dar mais força.

Dom Aloysio coordenou uma explanação sobre a educação católica no Brasil. A Universidade do Sagrado Coração (USC), de Bauru, produziu o vídeo de 50 minutos com a coordenação de dom Aloysio sobre a educação no Brasil e as diversas instituições de educação católica. O trabalho foi exibido na ocasião para os bispos presentes.

Outra exposição realizada foi a dos sínodos dos bispos que a Igreja programou para o mês de outubro deste ano. O assunto deste sínodo será a figura do bispo, seu apostolado, sua missão diante dos desafios modernos, entre outras coisas. Para este sínodo, foram eleitos quatro bispos que serão os representantes.

Dom Aloysio fez questão de registrar que dom Cândido Padim, 86 anos, esteve presente e anunciou o lançamento de um livro sobre exigências evangélicas da superação da miséria e da fome no Brasil. A CNBB fez algumas exigências éticas para o livro que está sendo preparado, disse.

O monsenhor Enedir Moreira, que é o administrador diocesano de Bauru, também se referiu a dom Cândido e leu um trecho de seu discurso: A marcante posição da igreja no período da opressão do regime ditatorial, não foram poucos e importantes pronunciamentos dos bispos contra a tortura, prisões arbitrárias, dom Cândido lembrou que em sua atividade como assitente, muito cedo teve que intervir para libertar jovens das prisões e da tortura. Com a convocação da Constituinte, a CNBB e muitas dioceses animaram grupos de leigos a preparar emendas para a correta elaboração da nova constituição, mas juntamente com a participação de outras Igrejas e com ONGs de muitos tipos, sem qualquer predomínio de grupos partidários. A Constituição de 1988 inclui muitas dessas emendas que foram entregues ao Congresso pela CNBB e outras instituições. Agora, continuou dom Cândido, 13 anos depois de promulgada, percebemos que preceitos fundamentais não têm sido colocados em prática. Nem todos os que tomam a Constituição em suas mão, tem a inteligência de ler o preâmbulo, onde estão as exigência éticas do povo brasileiro.

Enedir acredita que a declaração sobre a Amazônia, realizada durante a conferência, foi um dos temas mais interessantes e que todo o povo brasileiro deveria abraçar a causa. Ele disse estar preocupado com a questão das queimadas. O gorverno deveria estar de olho aberto e preocupado com a preservação desse patrimônio. Tem que discutir a questão do desenvolvimento, mas de forma inteligente. A questão ambiental torna-se cada vez mais séria, afirmou.

Política

De acordo com o monsenhor Enedir, a política é fundamental, mais do que necessário. O papa Pio XII deixava claro que a política é uma arte e é uma força de expressão da caridade. Assim a Igreja vê a política. Nós somos cidadãos e devemos ter essa preocupação com a organização da sociedade, disse.

Para ele, no momento atual, à política não está a serviço do pleno desenvolvimento do ser humano. Quanto a política partidária, Enedir disse que um bispo, um padre, deve ser atífice da unidade e a política partidária dificulta esse trabalho. A política deve estar nas mãos dos leigos, que são competentes para abraçar essa causa. Nesse caso, a igreja deve orientar esses políticos para que os valores do Envangelho possam empreguinar a vida econômica, política e social, opinou.

Novidades

Enedir adiantou que, em breve, haverão duas mudanças na Diocese de Bauru. Ele contou também sobre o encontro chamado de Paulistão, onde 150 padres estarão reunidos para discutir sobre o 9º Encontro Nacional de Presbíteros do Brasil. Cada regional da CNBB, de acordo com Enedir, faz reunião de preparação para o encontro nacional e do Regional Sul CNBB do Estado de São Paulo será realizado em Bauru de amanhã a quinta-feira, no Centro de Treinamento e Vivência dos Irmãos do Sagrado coração de Jesus (CTV). A coordenação do encontro é da Comissão Regional de Presbíteros (CRP), da qual Enedir faz parte como tesoureiro.

Assessores continuam

De acordo com dom Aloysio e o monsenhor Enedir, as assessorias são essenciais. Sem assessores, não há como trabalhar bem, disse dom Aloysio. Ele explicou que a CNBB tem três setores, família, educação e criança - e para fazer essas modalidades presentes, é necessário muito trabalho, portanto o papel dos assessores se torna fundamental. A Igreja conta com os assessores e vai contar cada vez mais e com os leigos, que são maioria, afirmou.

Enedir explicou que os assessores continuam porque são muito úteis. No novo estatuto, fica claro apenas que as decisões fiquem realmente nas mãos dos bispos e não nas dos assessores, mas esses continuam existindo.

Mosenhor Enedir disse que o celibato não foi discutido durante a conferência. Se um bispo ou outro fez algum comentário sobre isso com a imprensa, a responsabilidade é dele, mas esse tema não esteve presente, não foi uma preocupação, afirmou. Mas deu sua opinião sobre o assunto: o celibato é um dom, é um conselho de Jesus Cristo e como dom é muito útil no interior da Igreja. É claro que há todo um exercício espiritual para aqueles que se propõem ao celibato. A vida celibatária não é propriedade da Igreja Católica ou do cristianismo, por exemplo no budismo também há celibatários que vivem isso por uma causa. Nós também temos uma causa e essa causa deve estar bem clara para um candidato, explicou.

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