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A PENA DE MORTE E A RELIGIÃO

Pedro Valentim
| Tempo de leitura: 3 min

São exatamente dezesseis (16) anos que acompanho e colaboro com A Tribuna do Leitor do Jornal da Cidade. E neste meio tempo sempre acompanhei um pouco quanto assustados e confundidos os debates que se travam sobre a tão polêmica pena de morte. Discussão esta que vira e mexe volta à tona neste espaço democrático. Como nos últimos dias não foi diferente, gostaria de publicamente externar minha postura e opinião. 1.º) Está comprovado matematicamente e socialmente que a pena de morte não reduz a criminalidade. São dados da ONU (Organização das Nações Unidas) e do Departamento de Segurança Pública Mundial do Pentágono, nos Estados Unidos. 2.º) A pena de morte não alivia o sofrimento de perda, daqueles cujas vítimas foram os seus entes queridos ceifados nas mãos dos bandidos. Apenas suscita um sentimento de vingança frágil que dura poucas semanas. A prisão perpétua tem muito mais sentido, mesmo porque, o cidadão estaria pagando pelo resto da vida o crime hediondo cometido. A morte para alguns indivíduos é até uma recompensa, mas a prisão perpétua, não. A família da vítima sofre, mas o bandido também. 3.º) A justiça é formada por homens e mulheres, portanto, suscetível a erros. Porém, com a pena de morte um erro jamais será consertado. A não ser se o condenado ressuscitar, hipótese esta cientificamente descartada e religiosamente atribuída a um único ser: o Lázaro. E desde que foi instalada em alguns países, centenas de pessoas já foram executadas inocentemente por erros da Justiça, conforme relatório da entidade Anistia Internacional. 4.º) É mais fácil um camelo passar num buraco de agulha e um peixe andar de bicicleta, do que em qualquer país do mundo um milionário ou político influente ser condenado à cadeira elétrica. As cobaias sempre serão os pobres, os negros, os homossexuais, os asiáticos, os latinos e por aí vai... 5.º) Não dá para entender como pessoas ligadas a várias religiões defendem a pena de morte. Isto nada mais é do que uma grande hipocrisia espiritual acompanhada da falsidade da fé. E o não matarás? Foi abolido da Bíblia ou algo parecido? 6.º) Todo mundo ou a maioria das pessoas só defende a pena capital quando não é nenhum parente ou pessoa bem próxima que vai sofrer a ação. Pimenta nos olhos dos outros é refresco, e a grande parte da nossa sociedade sempre se comportou assim. 7.º) Antes de ser acusado, deixo bem claro que defendo penas severas para os crimes graves e penas de prestação de serviço à comunidade em delitos mais pequenos. 8.º) Está mais que na hora dos defensores da pena de morte lutarem por distribuição de renda, saúde, educação, reforma agrária e cota nos empregos públicos e nas universidades públicas para as minorias e os discriminados. Isto sim reduz a criminalidade e a barbárie social em que estamos enfiados por culpa dos nossos governantes e também de grande parte da sociedade. 9.º) E volto a repetir: pessoas sendo religiosas defender a pena de morte é uma enorme contradição. E pra elas digo: ... não blasfemais o Senhor teu Deus, senão sua condenação será mil vezes pior que a chaga dos ímpios e o pranto dos fariseus...

PS - A bolsa de estudo e o crédito educativo que deveriam ser uma ajuda social e educacional para os alunos de baixa renda, viraram um verdadeiro panetone nas mãos das elites e de alguns políticos. É por isto que esta m... não muda. (Pedro Valentim - RG: 19.198.011-0)

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