Uma caminhada vai refazer o trajeto dos fundadores, desde as margens do Tietê até a praça, onde acontece uma missa
Jaú - Pela primeira vez, depois de 66 anos, o distrito de Potunduva vai comemorar seu aniversário. Os festejos já se iniciaram com a realização da Festa do Peão e terão seu ponto alto neste domingo, com uma Missa em Ação de Graças na Igreja de Santa Cruz, às 7 horas. Háverá também solenidade cívica na Praça Vicente Aguirra Teixeira, às 8 horas e ainda Feira de Artesanato, plantio de árvores. Uma corrida de pedestres e uma caminhada vão refazer o trajeto dos fundadores do distrito, desde as margens do rio Tietê até a praça, onde acontece uma missa campal, às 15 horas.
Como parte das solenidades de aniversário do distrito de Potunduva, vão se apresentar a Banda Marcial de Tio Cassiano Jahu, às 9h30, a dupla sertaneja Henrique e Fernando, às 10h30 e a Orquestra Experimental Fábio Lopes, às 17h30.
Um pouco da história
Em meados de 1780, monçoeiros, participantes de expedições que viajavam em busca de ouro de São Paulo a Cuiabá, escolheram um porto para suas embarcações: o Porto de Potunduva.
Justamente neste porto, aconteceu o conhecido milagre da bilocação (presença simultânea em dois lugares diferentes) de Frei Galvão, que ministrou o sacramento da confissão a um monçoeiro, de nome Manoel Pontes, poucos instantes antes de sua morte. Com o fim das monções, Potunduva e o porto foram abandonados.
O único marco remanescente foi a Santa Cruz, na barranca do rio, exatamente no local onde se deu o milagre de Frei Galvão. Depois de muito tempo, em 1880, o presidente da então província de São Paulo veio visitar a área em companhia de um padre, e decidiu doar as terras para imigrantes italianos e espanhóis, ex-monçoeiros, que aqui se estabeleceram.
Houve, então, a segunda ocupação de Potunduva, com a criação das fazendas São José, Santa Cruz e Araras. A fazenda que mais prosperou foi a Araras, que acabou formando Potunduva, que inicialmente se chamava Santa Cruz de Araras. Em 1922, com a instalação da primeira agência do correio, era preciso registrar um nome para o povoado, que passaria a receber e enviar correspondências. Como já existia um município de Araras, foi feita uma consulta entre os moradores e a escolha do nome foi Potunduva, que já era o nome do porto.
Em 13 de novembro de 1928, o deputado jauense Hilário Freire, propõe e consegue que o povoado de Potunduva seja elevado à categoria de Distrito. Sete anos depois, em 29 de julho de 1935, em cerimônia oficial, foi instalado o Distrito de Paz de Potunduva, que acabou sendo a data em que se comemora oaniversário do Distrito.
Durante muito tempo, a locomoção das pessoas entre o Distrito de Potunduva e a cidade de Jaú acontecia através de uma estação de trens chamada Ayosa Galvão. O nome da estação de trens passou a ser um bairro do Distrito de Potunduva.
Hoje, o Distrito de Potunduva, com cerca de 10 mil habitantes, está dividido em sub-bairros: Airosa Galvão, Vila Nova Esperança, Jardim Frei Galvão, Parque Frei Galvão, Jardim Concorde, Jardim Olaria, Jardim São José (Cachoeirinha) e, mais recentemente, o bairro de Nova Olaria, ainda em fase de instalação.