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Críticas: é preciso saber como fazê-las

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 3 min

Fazer uma crítica é até fácil se a pessoa não for se preocupar com todos os aspectos negativos que ela pode gerar - não só para o criticado como para ela mesma que critica. Quem exerce um cargo de chefia hoje em dia e de vez em quando precisa fazer algum tipo de comentário crítico não pode ignorar isso. É preciso ter sensibilidade e educação para saber falar a verdade sem ofender, o que não é tão simples quanto parece

As críticas fazem parte do dia-a-dia da vida de qualquer profissional mas nem sempre precisam ser vistas como algo negativo. Se forem feitas com a intenção de ajudar a corrigir uma falha, com educação e no momento certo, as críticas podem ser o primeiro passo para a evolução profissional e pessoal de um indivíduo. Mas como mostrar para uma pessoa que ela está errada ou precisa melhorar em determinados aspectos sem que ela se sinta constrangida, menosprezada ou humilhada e ainda se saia da conversa com o desejo de melhorar?

Primeiro é preciso escolher o momento certo. É muito mais difícil tentar se controlar quando a cabeça ainda está quente por causa de um erro ou falha cometida pelo funcionário. Quem vai criticar precisa estar calmo e saber escolher as palavras. O local no qual essa conversa vai acontecer também é importante. Segundo a psicóloga organizacional Marta Alice Nelli Bahia, o chefe nunca deve chamar atenção de um funcionário na frente de outros para não menosprezá-lo, o que além de falta de tato, seria sinal de pouca educação. Para a professora de etiqueta Glorinha Braga Ortolan, o lugar ideal para esse tipo de conversa deve ser um ambiente fechado, particular, para quem ninguém ouça nada.

A forma de falar também é importante. Gritos e expressões de baixo calão obviamente não devem ser usadas até por uma questão de educação. Além do mais, uma reação nervosa e mal educada do chefe pode provocar uma resposta tão irada quanto por parte do funcionário, o que não é bom para ninguém nem resolve o problema. A pessoa deve dizer a verdade, com educação e firmeza, de uma vez, indo direto ao assunto, ensina Glorinha Ortolan.

Pontos de vista diferentes

Quando se faz uma repreensão, tem que se ter cuidado porque, em princípio, a pessoa vai ouvir algo negativo a seu respeito e, muito provavelmente ficará ofendida, explica o psicoterapeuta Flávio Gikovate numa matéria sobre críticas na revista Agitação, publicação nacional do Centro de Integração Empresa Escola (CIEE), de janeiro de 2001. A necessidade de cautela procede porque, geralmente, a crítica é resultado de um ponto de vista diferente e nem sempre correto, ou melhor, muitas vezes, passível de argumentação. Quem critica tem que saber muito bem sobre o que está falando e é muito importante que quando for falar de aspectos negativos, fale também sobre o que não foi alcançado para que a pessoa que está sendo criticada possa refletir sobre o que é esperado dela, diz Marta Alice Nelli Bahia. A psicóloga explica que a crítica também pode ser resultado de uma falha de comunicação interna, o que significa uma certa responsabilidade da chefia. Por isso quem critica deve fazê-lo de uma forma construtiva, para que a pessoa possa refletir e melhorar, para que ela possa construir algo daquilo e não destruir o que já existe, afirma Marta Nelli Bahia. Glorinha Ortolan completa: É bom para os dois, o funcionário procura melhorar e o patrão tira o peso das suas costas e pára de ficar enxergando apenas as coisas ruins naquela pessoa, diz.

O reverso da medalha

A crítica deve vir quando se fizer necessária e o mesmo vale para o seu oposto, o elogio. Quem critica deve ficar atento aos resultados que a seu repreensão vai causar e saber reconhecer quando tudo estiver correto e, assim, também elogiar. Quando as pessoas vêem o seu esforço reconhecido, aprendem a receber críticas com outra ótica e mantém sempre aberto o canal de comunicação com as suas lideranças.

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