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Ferrovia marcou história de Bauru

Daniela Bochembuzo
| Tempo de leitura: 5 min

Mineiros e cariocas foram os primeiros a chegar à cidade, então povoado, em 1856; município foi criado oficialmente em 1896. Presença de fazendeiros revolucionou cultura.

Com 144 anos de fundação e 105 anos de oficialização como município, Bauru traz em sua história as marcas de trabalho de muitos migrantes. Foram dois deles, Felicíssimo Antônio de Souza Pereira e Antônio Teixeira do Espírito Santo, que primeiro se estabeleceram por estas terras e a registraram, em 15 de abril de 1856, como Bauru.

O registro da posse das terras foi feito em Botucatu, mas o povoado permaneceu por 40 anos subordinado ao município de Fortaleza, localizado próximo a Agudos, e sob as influências políticas de Lençóis Paulista. Mesmo assim, Bauru continuou prosperando. O avanço se deu em razão da chegada de novas levas de migrantes. Entre elas estava o mineiro Azarias Ferreira Leite, figura fundamental para a emancipação da vila a município e presidente da Câmara Municipal nos primeiros anos do século 20.

Em geral, os migrantes eram atraídos pela propalada fecundidade das terras bauruenses. Foi assim com o colonizador Francisco Rodrigues Campos. Acompanhado de sua família, ele, no entanto, não conseguiu assistir às primeiras plantações de café e algodão porque foi assassinado, juntamente com seus familiares, pelos índios da região logo após sua chegada.

Apesar das histórias a respeito da ferocidade dos índios, muitos migrantes continuaram a chegar a Bauru, principalmente vindos de Minas Gerais e Rio de Janeiro. Foi um carioca, o coronel José Ferreira Figueiredo, aliás, quem fundou em 1890 aquela que seria a maior fazenda de café da região: a Fazenda Val de Palmas.

Seis anos depois, em 1896, o então vilarejo foi emancipado administrativamente, passando a ser chamado de município. Por conseqüência, Fortaleza deixou de ser a sede da cidade. Outro fato que contribuiu para a mudança de rumos de Bauru foi a chegada dos trilhos da Estrada de Ferro Sorocabana, em 1905, ligando a cidade a São Paulo.

No ano seguinte, apesar dos constantes ataques de índios, a Noroeste inaugurou o primeiro trecho entre Bauru e Jacutinga, hoje Avaí. Em 1910, mais uma ferrovia: a Companhia Paulista de Estradas de Ferro. Juntos, os três trechos ferroviários formaram o cerne do que seria conhecido atualmente como um dos maiores entroncamentos de transportes do Interior brasileiro.

Naquela época, a importância das ferrovias favoreceu a chegada de muitas correntes migratórias a Bauru. Além de paulistas, mineiros e cariocas, o município recebeu engenheiros franceses e suas famílias, entre outras nacionalidades européias. A presença dos estrangeiros revolucionou culturalmente a cidade, que passou a contar com saraus, esportes e requinte nas construções.

No mesmo período, espanhóis, italianos e japoneses chegaram às fazendas bauruenses para trabalhar na agricultura, enquanto portugueses e libaneses se aventuraram pelas atividades comerciais e de prestação de serviços. Quase uma centena de anos depois, a contribuição dessas culturas é verificada em todos os ramos da economia e da educação bauruenses.

Se antes era o solo o que atraía os migrantes, hoje é a educação e os postos de trabalho que funcionam como ímãs populacionais. Com seis instituições universitárias e cerca de 5.200 estabelecimentos comerciais e de serviços, segundo dados de 1999 do Ministério do Trabalho, Bauru é uma cidade de importância incontestável no cenário estadual. Exemplo disso é que, nos últimos 10 anos, pelo menos 50% dos seus 56.331 novos habitantes aqui chegaram de carona nas ondas migratórias inter-regionais e interestaduais, como apontam estudos demográficos realizados pelo Núcleo de Estudos da População (Nepo) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Estrutura básica é destaque

A população de Bauru conta com ótimos índices de qualidade de vida em razão da estrutura básica oferecida. Um dos destaques é a água, cujo abastecimento atinge 99,9% da população, de acordo com levantamentos do Departamento de Água e Esgoto (DAE). Ainda segundo a autarquia, 95% dos habitantes têm acesso à rede de esgoto.

Atualmente, 100% dos bairros contam com coleta de lixo e 47% participam do programa de coleta seletiva de lixo, apontam dados da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) e Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma).

Em relação à pavimentação, 70% das ruas estão asfaltadas. A Secretaria Municipal de Obras pretende aumentar esse índice através dos programas Asfalto Comunitário e Asfalto Solidário. No primeiro, a população firma contrato direto com a empreiteira sob a supervisão da Prefeitura. O segundo, em desenvolvimento, prevê que a Administração forneça o material necessário para fazer o bloco de concreto, enquanto a população entra com a mão-de-obra.

Outro ponto positivo da estrutura básica local refere-se à telefonia. Dados levantados pelo Guia de Investimentos e Geração de Empregos de São Paulo, elaborado pela Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados, indicam que em 1998 havia 18,39 telefones para cada grupo de 100 habitantes.

Em 1999, o índice passou para 24,6 para cada grupo de cem pessoas, depois de investimentos realizados pela Telefonica, e deve elevar-se mais com a entrada da Vésper no mercado, registrada em 2000. A cidade conta ainda com diversos serviços de telefonia, o que favorece o acesso da população ao serviço.

Sobre energia elétrica, Bauru consome 540,642 milhões de kW/hora em 2000, cerca de 7,52% superior a 1999, segundo dados da Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL). O aumento, de acordo com economistas, reflete elevação do desempenho industrial na cidade.

Há dois anos, a CPFL registrava 92.267 consumidores residenciais de nergia elétrica; 1.712 no setor industrial; 8.492 no comercial; 677 no rural; 518 ligados ao Poder Público. Em iluminação pública, havia quatro consumidores e, no serviço de água, 59.

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