A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), vinculada ao Ministério da Agricultura e do Abastecimento, vai promover uma palestra, na próxima terça-feira, no Parque de Exposição Belmiro Maciel de Barros, em Corumbá, em Mato Grosso do Sul, a partir das 19h30, sobre controle da ferida-da-moda em eqüinos através de vacinas. O evento será ministrado pelo pesquisador Jânio Santurio, professor da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).
A doença, conhecida como ferida-da-moda, doença brava ou pitiose eqüina é prejudicial a saúde dos equinos. Provavelmente, desde a sua introdução na região, os animais são acometidos por uma inflamação cutânea, geralmente ulcerada ou fistulada, de evolução progressiva e que não responde aos tratamentos quimioterápicos.
A habronemose cutânea e fungos denominados ficomicetos são as causas mais prováveis da doença. Equipes de pesquisadores da Embrapa Pantanal (Corumbá) e da Universidade Federal de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, estudaram a doença desde 1996. Após examinar mais de 100 animais afetados pela ferida-brava no Pantanal, os pesquisadores concluíram que o fungo Pythium insidiosum é o principal agente causador da doença. Esse fungo é parasita de plantas aquáticas e produz zoósporos biflagelados em temperaturas elevadas. Ocorre em áreas alagadas de clima tropical e subtropical de todos os continentes. Os zoósporos se deslocam na água, e têm tropismo positivo por pêlo e cabelo, penetrando na pele dos eqüinos, nas áreas mais baixas do corpo e membros.
A pitiose já foi diagnosticada em cães, gatos, ursos, bovinos e no homem. Nos animais o fungo só se reproduz de forma vegetativa e, portanto, não se transmite de um animal para outro. Com o objetivo de controlar a doença, a UFSM e a Embrapa Pantanal desenvolveram uma vacina, de isolados da região, que tem se mostrado bastante eficaz. Nos últimos teste realizados mais de 80% dos animais foram curados.