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Eadi inaugura oficialmente desvio ferroviário em Bauru

Paulo Toledo
| Tempo de leitura: 3 min

A Estação Aduaneira Interior - Eadi-Bauru -, administrada pela Companhia Paulista de Armazéns Gerais Aduaneiros Exportação e Importação (Cipagem), inaugurou, ontem, oficialmente, seu recém-concluído desvio ferroviário, que vai possibilitar a ligação intermodal entre a área atendida pela Eadi-Bauru e países do Mercosul e a Bolívia, facilitando as operações de exportação e importação. O evento, que faz parte das comemorações do aniversário de Bauru, contou com a participação do prefeito Nilson Costa e várias autoridades.

Além de uma ligação direta com o mercado boliviano, o desvio ferroviário possibilita acesso aos portos de Santos (via Ferroban) e Paranaguá (via ferrovia América Latina Logística ALL), informa o diretor comercial da Eadi-Bauru, Antônio Grillo Netto. Além disso, a ALL permite ligação da carga ferroviária com Argentina, Uruguai e Chile este último país via Mendoza, na Argentina, com um complemento rodoviário na região da Cordilheira dos Andes, até chegar a Santiago.

Durante a solenidade, Grillo Neto destacou a importância do desvio ferroviário para o empresariado de Bauru e região, que vai contar com mais facilidades para exportação de seus produtos para a Bolívia e países do Mercosul. Wilson Batista Souto, presidente da Cipagem, destacou que o aumento do volume de cargas na Eadi-Bauru vai canalizar o recolhimento de mais impostos na cidade.

Ex-ferroviário, Nilson Costa destacou que o desvio é como o início de uma revitalização da ferrovia em Bauru, já que conta com uma via permanente (trilhos, etc.) de boa qualidade, como nos bons tempos da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, da Paulista e da Sorocabana. Bauru sempre foi conhecida como maior entroncamento rodo-ferroviário da América Latina. Hoje deixou de sê-lo porque a ferrovia foi jogada às traças, lamentou.

O prefeito disse que a inauguração é uma demonstração de dinamismo de Souto e sua equipe, em um momento em que há uma crise econômica instalada. É uma prova de confiança no País e Bauru, sem dúvida, lucra com isso, afirmou.

Participaram da solenidade os secretários municipais de Obras, Edmilson Queiroz Dias, de Desenvolvimento Econômico, Roberto Rufino, além do tenente-coronel Flávio Müller, comandante do 2.º Batalhão da Polícia Rodoviária (BPRv), sediado em Bauru, e do tenente-coronel Elizeu Eclair Teixeira Borges, comandante do 4.º Batalhão da Polícia Militar do Interior (BPM-I). O vereador Milton Dota Júnior (PPS) representou a Câmara Municipal. A banda da Polícia Militar tocou ao longo da solenidade.

Vale destacar que o desvio ferroviário possibilita outra opção de ligação com os países do Mercosul, que é por meio da intermodalidade entre ferrovia e hidrovia, com cargas partindo do Uruguai, Argentina e Paraguai, através dos rios Paraná-Paraguai, que levam até Corumbá, de onde pode seguir de trem até Bauru e vice-versa.

O desvio já está sendo utilizado para recebimento de cargas de minério, enviadas pela empresa boliviana Copla Ltda. Importación y Exporatción, com sede em La Paz, que deve se utilizar da Eadi-Bauru para exportação de 10 mil toneladas de ulexita para o Brasil, que serão trazidas por meio do desvio ferroviário da Eadi-Bauru, numa média de duas composições ferroviárias por semana, com cerca de 250 toneladas cada uma, até dezembro deste ano.

O comércio exterior exportador do Brasil para a Bolívia é estimado em torno de US$ 500 milhões por ano, contra uma importação (exceto o gás natural) de aproximadamente R$ 30 milhões em produtos como madeira, alho, feijão, minerais, entre outros.

A Eadi-Bauru tem uma plataforma ferroviária de 120 metros de comprimento, capaz de alojar nove vagões. O desvio ferroviário, de aproximadamente 900 metros, está interligado à ferrovia Novoeste S/A, antiga Malha Oeste da RFFSA, que liga as cidades de Bauru a Corumbá (MS), na fronteira com a Bolívia.

Em razão de um acordo bilateral entre a Novoeste e a ferrovia boliviana, os vagões que partem de Bauru podem entrar no território boliviano sem a necessidade de baldeio (troca de vagões), apenas com a substituição da tração (locomotiva) em Corumbá. A carga pode seguir até Santa Cruz de La Sierra, onde termina a Rede Oriental Boliviana.

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