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Mudar, por quê?

(*) N. Serra
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Apareceram imediatamente, após a versão de que a Câmara Municipal de Bauru poderia, de instante para outro, ser transferida da praça D. Pedro II, vozes contrárias à medida em si. Não apenas as que vieram a se manifestar através dos meios de comunicação, mas, muitas outras, que foram por nós ouvidas nas vias públicas e em encontros ocasionais, revelaram-se absolutamente avessas à idéia, ainda que o objetivo invocado fosse possibilitar a mudança para outro local mais espaçoso e dotado de melhores condições físicas, conforme se expressou o Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Bauru pela voz insuspeita do presidente do órgão, arquiteto Nilson Ghirardello, também professor de História da Arquitetura e Urbanismo da Unesp-Bauru, de acordo com o qual seria um risco a Câmara dispor do atual imóvel que representa uma parcela da história política da cidade. Foi, no nosso entender, um pronunciamento absolutamente válido, pois achamos, como tantos outros, que, uma vez transferido para terceiros, o interessante imóvel correria o perigo de ser demolido pelo(s) novo(s) proprietário(s) e, então, perderia Bauru uma de suas mais importantes referências históricas. Ainda bem que, logo em seguida, surgiria o desmentido do boato por iniciativa do vereador Roberto Bueno, com o que a população se sentiu prontamente aliviada.

Lembramo-nos bem, como se fosse hoje, dos primórdios da construção do edifício da Praça, alicerçada junto de outro, antigo, que abrigava muito mal o Fórum e os cartórios da comarca. Chegaria um dia em que algum Governo do Estado projetaria a edificação de instalações mais amplas para seus serviços forenses, instalados em velho prédio desde a criação da unidade jurídica. Realmente chegou e o Estado, então, localizou e ergueu a sonhada obra no Jardim Bela Vista, onde desde então se encontram montados, inclusive com áreas bastantes para estacionamento de veículos. Simultaneamente, a Edilidade, que funcionava em antigo e insuficiente casa na esquina das ruas Antônio Alves e Bandeirantes, obtinha autorização governamental para passar a ocupar o que estava sendo desocupado pelo Fórum e atividades correlatas, nele se encontra atualmente e do qual um grupo de edis desejaria mudá-la. Será que o conseguiram? Prognóstico difícil, pois não é fácil locomover-se algo que há 31 anos se localizou num ponto privilegiado da cidade e nele mantém suas portas abertas para quantos, em tantas oportunidades, o procuraram para manifestação de seus anseios e a articulação de seu atendimento. E, além do mais, um local de onde partiram algumas vozes, e em muitas vezes, em defesa dos magnos interesses da coletividade e de seu município. Então, tomara que a idéia não pegue! É a nossa opinião.

(*) O autor, N. Serra, é o Jornalista Responsável do JC e Delegado Regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.

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