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Inadimplência cresceu 32% em julho

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 3 min

Análise dos registros do SPC mostra uma situação mais negativa do comércio em relação ao mesmo período de 2000.

Os resultados do levantamento realizado pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) mostraram que a quantidade de nomes incluídos no cadastro de inadimplentes do órgão, em julho, foi 32,66% maior em relação ao mesmo período do ano 2000. Ao todo, foram efetuados 5.333 registros, contra 4.020 em julho do ano passado.

Quando foram analisados os números de exclusões - nomes que foram retirados da lista de inadimplentes do órgão de proteção ao crédito em função das dívidas pagas por parte dos consumidores -, os resultados também não foram positivos para o comércio local. Em julho deste ano, apenas 1.943 nomes foram excluídos, contra um total de 3.501 cancelamentos no mesmo mês do ano passado. A diferença negativa é de 44,5%.

O número de consultas (físicas, jurídicas, de cheques, cartório etc) feitas por lojistas junto ao SPC teve uma queda de 21,23% este ano na comparação com o mesmo período do ano passado. O levantamento indicou 43.952 consultas realizadas no mês passado contra 55.802 no mesmo mês do ano 2000.

Para o economista, professor e delegado do Conselho Regional de Economia (Corecon), Reinaldo César Cafeo, o fato da quantidade de consultas feitas junto ao órgão, em julho, ter sido menor este ano, na comparação com o mesmo período do ano passado, seria o reflexo da queda no nível das atividades no comércio local. Partindo do princípio de que o número de consultas tem uma relação direta com o nível das atividades no comércio, ou seja, com as compras realizadas pelo público consumidor, pode-se concluir que houve uma queda significativa do nível de atividades. A queda percentual é o reflexo dessa retração, que também pode ser verificada pelo fato do comércio estar investindo nas liqüidações para atrair a população. Na minha opinião, esse desempenho negativo no comércio se deve, em grande parte, à crise energética, que leva os consumidores a reduzir os gastos no comércio, analisa.

Em relação ao aumento de 32,66% no total de nomes incluídos no cadastro de inadimplentes, Cafeo diz que isso é a prova de que, além da queda do nível de atividades no comércio, a retração desencadeia reflexos na pontualidade do pagamento. Em função de toda a crise econômica pela qual o País passa, ou até mesmo por estarem desempregados, alguns consumidores preferem se resguardar para surpresas financeiras futuras e acabam deixando para trás o compromisso de serem pontuais na hora de quitar dívidas pendentes no comércio. Além disso, as taxas de juros elevadas, quando combinadas a outras despesas, muitas vezes deixam o consumidor sem condições financeiras para honrar todos os seus pagamentos, diz Cafeo.

De acordo com o economista, essa tese é confirmada quando se analisa a quantidade de nomes que foram excluídos da lista de inadimplentes do SPC, com queda registrada de 44,5%. As pessoas não estão conseguindo saldar suas dívidas e habilitar seus nomes no comércio na mesma proporção em que ficam inadimplentes. Isso demonstra todas as dificuldades financeiras que já foram citadas e analisadas, finaliza o economista.

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