Nas cenas de uma novela recente da Globo, morre uma anciã. E, já no plano invisível, o autor projeta a magistral beleza de uma metamorfose: a velhinha transforma-se numa jovem feliz e sorridente e é recebida por indivíduos que bem podem ser parentes, amigos e prepostos dos grandes instrutores celestiais. Em casos assim, logo a recém-chegada receberá amparo, ensinamentos, cuidados gerais e breves tarefas, porque a vida continua. E continua tanto aqui, como lá. Todavia, a nossa entrada nesse fantástico mundo invisível tem variações de diferenças que vão ao infinito.
Certa vez, erramos o caminho numa rotatória do Triângulo Mineiro e fomos parar em Uberaba. Uma casualidade jamais esquecida, porque acabamos aderindo a uma pequena multidão que aguardava atendimento pelo médium Chico Xavier. Artistas, empresários e fazendeiros dividiam espaço e tempo com pessoas pobres e humildes, na esperança de ver e ouvir o médium mais famoso do mundo. Quase todos tinham esperanças de receber mensagens de entes queridos, agora destituídos do corpo humano. Mensagens que viriam, ou não, através de extraordinário intercâmbio, só possível para quem acredita, por um mecanismo chamado mediunidade.
Encerrada a reunião, pudemos apertar as mãos do Chico e trocar rápidas palavras, num ambiente encantado pela paz e por deslumbroso aroma de flores silvestres, como se estivéssemos num jardim tão puro quanto sagrado, e longe de qualquer perigo ou desafeto vulgar. Meu amigo despediu-se beijando as mãos do Chico, num gesto inerente aos que reconhecem a superioridade moral de uma autoridade religiosa, cujo coração indulgente está sempre voltado para o bem. Embevecido, despedi-me sem beijar as mãos de Francisco Cândido Xavier, para mim o maior baluarte do Cristianismo contemporâneo. Mas tenho a absoluta certeza de que, se perguntado, Chico dirá que maior que ele serão João Paulo II, Frei Damião, Madre Tereza de Calcutá, Irmã Dulce, Bispo Crivelli, D. Hélder Câmara, e uma falange imensa de gênios do bem a serviço da evolução moral e intelectual humana dos nossos tempos.
Sei que não verei mais o Chico por aqui. E, do outro lado da vida, piorou. Levarão séculos para que eu possa oscular as mãos daquele que psicografou Paulo e Estêvão, uma obra memorável em que Emmanuel relata as maravilhas da metamorfose de Paulo de Tarso, depois de degolado por soldados romanos. Com atraso, rendemos nossas humildes homenagens a Chico Xavier, esperançosos de vê-lo nos próximos séculos!... (Antonio Ribeiro Corrêa - RG: 4.168.220)