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Acertando com as iscas artificiais

Redação
| Tempo de leitura: 4 min

Muitos pescadores, ao comprarem suas iscas artificiais, na maioria das vezes escolhem-nas muito mais porque agradam eles mesmos do que por possuírem características técnicas específicas para os peixes pretendidos. Na edição de hoje, Pesca e Lazer traz um guia prático para reunir numa única isca as melhores condições de sucesso em seu uso.

Ação

Uma das principais características de uma isca artificial deve ser o trabalho que realiza dentro dágua para atrair o peixe. Se for tracionada aleatoriamente, sem direção ou profundidade, vai transmitir a noção de um pequeno graveto à deriva, que nada tem de alimento e, assim sendo, não será atacada nunca, pois o peixe tem um desconfiômetro bem calibrado. Para corrigir o problema, a escolha deve girar entre as iscas de barbela que afundam pouco ou muito, as que zigue-zagueiam na superfície ou aquelas que flutuam, afundam ao serem puxadas e tornam a flutuar. Cada uma serve para uma espécie específica e, para ter mais chance de sucesso ainda, você precisa conhecer a espécie a ser fisgada. Por exemplo, para os tucunarés, a escolha ideal varia entre as iscas que fazem o zigue-zague (as zaras) e aquelas que afundam até meio metro (barbela média). Para as traíras, o correto são as iscas de profundidade, podendo ser as de barbela grande, as minhocas artificiais com chumbada ou mesmo as Spinner bait.

Cor

A escolha da cor de uma isca é fundamental, pois deve aproximar-se ao máximo da cor natural da espécie caçada. As cores claras são as mais indicadas, havendo destaque para as cítricas como o verde limão e a cor laranja. A mistura de suas cores também ajuda bastante. Por exemplo, branco com vermelho, verde com azul e vermelho com azul. Preste atenção ao fato de que as cores variam de acordo com a cor da água. Quanto mais turva, mais clara deve ser a cor da isca. Numa situação destas as cores douradas ou prateadas são ideais, pois além de claras refletem a luz, e isto ajuda muito na identificação pelo peixe pretendido.

Textura

Há uma enorme variação na textura das iscas artificiais. Ela vai desde o acrílico até pêlos e penas, passando por fibra de vidro, madeira balsa, metal, etc. A idéia é simular o suficiente para atrair o peixe, por isso mais uma vez o que determina a textura é a espécie pretendida. Será difícil fisgar um matrinchã com uma isca feita de metal, tarefa facilitada se a escolha recair sobre um Streamer, que reúne pêlos e penas. No sentido inverso, uma colher metálica fará muito sucesso com os dourados, fato impossível de se conseguir com o mesmo Streamer, citado como exemplo. Por tudo isto, é bom ficar atento na escolha da composição da isca pois, por mais atraente e bonita que seja, se for feita de um material não indicado, não será atacada.

Tamanho

Nem todo otimista é pescador, mas todo pescador é otimista. Esta máxima é tão válida que, ao comprar sua isca artificial, muitos pescadores optam por tamanhos que só serão usados em pescarias pesadas em alto mar. O otimismo é tanto que ele pensa utilizar o tijolo para pescar tucunarés de médio porte na região do Tietê. É claro que não terá sucesso pois o peixe, ao ver aquela isca a seu lado, pensará que é um predador e, ao invés de atacá-la como alimento, vai fugir dela e, a cada passagem, vai se enfiar ainda mais na sua toca. Equilíbrio será então a palavra-chave nesta escolha. Lembre-se de que o peixe predador sempre ataca uma isca com a qual possa lutar e vencer. Assim, entre uma muito pequena que ele pode até engolir e uma muito grande que ele possa fugir, escolha o tamanho proporcional a um lambari de bom porte. Dentro desta linha, iscas com até dez ou 12 centímetros de comprimento são as mais indicadas para quase todas as espécies brasileiras de água doce. Quando os peixes escolhidos são as tilápias, por exemplo, o tamanho diminui sensivelmente, chegando as mini Fat Rap, que são iscas artificiais tão pequenas que não ultrapassam os três centímetros. Para as traíras e corvinas, no máximo cinco centímetros de comprimento e assim por diante.

Som e vibração

Quando as coisas estão difíceis, ou seja, quando os peixes estão demorando para atacar, e o problema não é do local escolhido, é hora de ter na caixa de pesca duas iscas que chamamos de sonoras, que têm a função de fazer barulho e vibrar para atrair os peixes arredios.

Criatividade

Como vimos nesta matéria, a criatividade do pescador deve imperar na melhor escolha. Quem tem pouca ou nenhuma experiência deve procurar a orientação especializada dos vendedores para auxiliá-lo no momento da compra, deixando de lado o entusiasmo em adquirir uma isca só porque ela é bonita ou colorida, mas que não trará resultados positivos na hora da pesca. Ao fazer a sua aquisição, procure determinar qual espécie pretende capturar, revertendo para ela a sua escolha com limite pois, para cada espécie, mais de três opções já beira o exagero.

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