A pretexto de uma discutível política de corte de gastos com pessoal, o jornalista Célio Gonçalves foi demitido da Companhia Habitacional de Bauru-COHAB, interrompendo os serviços que prestava à administração pública municipal na condição de cedido à Secretaria de Cultura. Pelo histórico do Célio Gonçalves, enquanto servidor de tantas administrações municipais, impossível não lamentar a sua demissão e, por consequência, não se pode deixar de questionar os critérios que a determinaram, quando se sabe que em qualquer redução de quadro de pessoal, seja na administração pública, ou na privada, o quesito competência sempre tem que prevalecer.
No caso da demissão do Célio não há dúvida que esse detalhe foi preterido, certamente em benefício do predomínio do quesito conveniência. Parece que convinha à Administração Municipal não demitir outros menos competentes, mas possivelmente sustentados em suas funções por acordos políticos, privilegiando o que tem sido a regra desse jogo proibido para menores em que se transformou a administração pública neste País.
Lamentável, para se dizer o mínimo, ver um profissional da comunicação com o talento de poucos, ser desligado de uma Administração Municipal que, dentre seus pontos fracos, destaca com grandeza exatamente a fragilidade da sua comunicação, principalmente quando dos momentos mais turbulentos, polêmicos - aliás, os que mais se sucederam nesse primeiro semestre de mandato. Ver o Célio, agora, fora desse contexto, chega a ser de uma incoerência inominável, além de uma flagrante injustiça, principalmente ao rodarmos a fita do tempo e vermos o que já saiu do seu cérebro privilegiado e da sua voz abençoada ao longo desses últimos 30 anos, quando com competência, dignidade e sobriedade exemplares, cumpriu a difícil missão de tornar a Administração Municipal mais próxima, mais presente, mais sensível à população de todas as classes da cidade.
Célio sempre colocou o máximo da sua capacidade em favor de uma melhor comunicação da Prefeitura Municipal com a comunidade, não se importando se quem estivesse sentado na cadeira de Prefeito fôsse o Franciscato, Edmundo, o Sbeghen, o Gasparini, o Tuga, o Izzo, o Tidei ou o Nilson, prefeitos a quem serviu ao longo de todos esses anos com uma lealdade incomum, simplesmente porque sempre se importou somente com o P.B. - o Partido de Bauru.
É inevitável não se passar a duvidar do êxito de uma Administração Municipal que tem a coragem de abrir mão de um Célio Gonçalves. (Flávio de Angelis)