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Tihuana vem com o rock do pula-pula

Redação
| Tempo de leitura: 4 min

Grupo de rock da nova geração se apresenta pela primeira vez na cidade, na Cervejaria dos Monges, na próxima quinta-feira

Como diria Egypcio, o bicho vai pegar! Poucas bandas brasileiras conseguiram tanta exposição em um disco de estréia quanto o Tihuana com Ilegal, de 1999, Pula!, Tropa de Elite, Praia Nudista, Que Vés?, Clandestino, foram muitas as músicas com boa execução nas rádios roqueiras de Norte a Sul do Brasil.

E isso de uma banda montada das cinzas dOstheobaldo, que estourou Arrasa-Quarteirão e implodiu, em 1998. O cantor Jonny seguiu seu caminho e os cariocas Léo (guitarra), PG (bateria), Román (baixo, este um torcedor do Boca Juniors disfarçado) e o baiano Baía (percussão) encontraram o paulista Egypcio e montaram uma nova banda.

O nome, uma perversão da cidade mexicana onde o primeiro mundo encontra o terceiro, traz consigo o sabor latino e eventualmente caribenho do grupo.

Pois o Tihuana se apresenta em Bauru na próxima quinta-feira, dia 16, na Cervejaria dos Monges. A banda tira de letra o tal teste do segundo disco (mesmo porque A Vida nos Ensina é o quarto trabalho para quatro quintos da banda), dosando mais os ataques de metal aeróbico com balançadas levadas jamaicanas e, quem diria - para um bando de marmanjos que agradecem a cinco estúdios de tatuagem no encarte do disco -, muita sensibilidade.

O disco começa calmo e reflexivo, com o reggae Por que será, que ganha um ar andino devido ao som da flauta de Emilio Tarankon, e cujo arranjo cresce na medida em que Egypcio filosofa, mostrando outro lado de sua maneira de interpretar. O baixo firme de Román abrilhanta a levada. O momento cabeça continua em Desaparecidos, versão de Desapariciones, do superastro panamenho Rúben Blades. Aqui, a banda passeia pela Plaza de Mayo, em Buenos Aires, lembrando os desaparecidos durante os períodos de ditadura militar na América Latina e no mundo. Assim como fez com Clandestino, de Manu Chao, o Tihuana mostra ao Brasil como existe boa música em um idioma próximo do português, retratando uma realidade que todos conhecemos.

O momento pelo qual os fãs de Pula! e Tropa de Elite estavam esperando surge na terceira faixa, onde Léo puxa um de seus riffs de guitarra e a banda tem seu momento de Anthrax - uma das melhores bandas da história do thrash - em Jamaica no problem. É festa da pesada, com o jeitinho sutil do Tihuana. Mas a bagunça não dura muito: Uma Noite é uma balada densa, quase triste, puxada por um belo dedilhado de guitarra.

No mesmo clima é o reggae A Reza, mais uma desculpa para Román esmerilhar o baixo e a dupla PG-Baía brincar nos tambores: a canção entra com sutileza na discussão sobre o papel da religião. Mais festa? Nada disso, o Tihuana continua no Caribe, desta vez com a ajuda de um belo naipe de sopros. Mais uma canção lenta, Calcanhar, que cresce no arranjo e contém a frase que dá nome ao disco.

Agora sim, é a hora da garotada sair do chão mais uma vez. Baixo, percussão, guitarra e sopros mandam bala, em uma canção com a assinatura do Tihuana: Campo Minado. Metais e baixo marcam as estrofes, enquanto a dupla guitarra-bateria (atrás dos berros de Egypcio, naturalmente) solta os bichos no refrão. É bom aquecer o pescoço. O peso misturado ao suíngue continua em Não vou me entregar, puxada por outro riff de guitarra dos diabos de Léo.

E esta faixa conta ainda com a participação especial nos vocais de Belex (Orbitais). Brasil, Califórnia, Jamaica, todos se encontram como em uma esquina qualquer. Kolô, que vem em seguida, é uma espécie de hino da banda, que anuncia sua blitz nos primeiros versos. A voz é levada em versos de rap, na adrenalina e no peso do instrumental. Uma massa sonora com a cara que só um quinteto carioca-paulista-baiano-argentino poderia ter.

Embicando em direção ao final do disco, Estrelas acalma os ânimos e mostra mais uma letra bem sacada (só pode ser a idade...) dos rapazes. Pra você ver o mundo lá fora/ Com você o amor não tem hora/ Pra fazer tudo agora/ Viver pra aprender. Quem ouvir distraído até suspira quando acabar. Mesmo porque o CD se encerra com uma pérola instrumental, V.C.L., uma linda levada de violões.

Em 36 curtos minutos, A Vida nos Ensina dá o seu recado e já pode ser ouvido de novo. E de novo. E mais uma vez...

Serviço

Tihuana, quinta, dia 16, 23h, na Cervejaria dos Monges. Preços não divulgados. Av. Getúlio Vargas, 7-50. Informações: 234-7773.

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