Geral

Direitos do paciente

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 3 min

Reduzir a distância que existe entre o doutor e o paciente é um dos principais desafios nos consultórios médicos. Além do medo que as consultas despertam, tradicionalmente, existe um respeito pela hierarquia profissional daquele que foi treinado para salvar vidas. Nos últimos anos, porém, alguns profissionais perceberam a necessidade de tratar seus clientes como consumidores, observando suas necessidades, suas vontades e, evidentemente, seus direitos.

Até há algumas décadas, deixar o paciente esperando horas para ser atendido, atrasando consultas que foram marcadas com bastante antecedência, dava status ao médico. Acreditava-se que, se a espera era longa, era porque o especialista era disputado por muitos pacientes - sinal de que ele realmente era competente e valia a pena ficar na fila.

Conforme o mundo foi evoluindo, porém, o tempo passou a ser cada vez mais precioso na vida de todas as pessoas. Atrasos e esperas deixaram de ser tolerados e passaram a ser vistos como falta de respeito. Atualmente, representantes de várias entidades sugerem que os médicos tenham agendas muito bem organizadas e que se programem para que os atrasos não ocorram ou, se isso for inevitável, que não sejam superiores a 30 minutos.

Outro conceito que, felizmente, vem mudando nos últimos anos é o de que é impossível entender a linguagem do médico. Historicamente, os sábios sempre se cercaram de palavras estranhas ou bonitas para mostrar que são conhecedores de verdades raras. Houve uma época em que a inteligência de um estudioso era medida pelo rebuscamento de suas palavras. Hoje, o profissional que não consegue se explicar adequadamente - seja ele de que área for - é considerado ineficiente e é rapidamente engolido pelos concorrentes. Afinal, o consumidor tem o direito de saber o que tem, quais os riscos está correndo e o que será feito dele.

Não é à-toa que os cursos de oratória têm recebido tantos adeptos. O consumidor do século XXI quer entender tudo o que está acontecendo ao seu redor. Ele exige conhecer passo a passo todos os procedimentos aos quais será submetido e faz questão de saber exatamente o que está recebendo e porquê. E tudo isso, no menor intervalo de tempo possível, porque Tempo é dinheiro - para o médico, para o economista, para o advogado, para o bancário, o frentista, o professor, o aluno, o operário...

Marketing

É preciso quebrar essa distância que existe entre médico e paciente, comenta o consultor Glauco Ernani Fontenele. Professor senior da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) de São Paulo, ele estará em Bauru, nos dias 31 de agosto e 1.º de setembro, ministrando o curso Marketing em dose única - Pacientes satisfeitos em dose dupla. O curso é voltado para profissionais de saúde. O objetivo é usar conceitos de marketing para auxiliar no planejamento e controle das atividades.

De acordo com Fontenele, o atendimento ideal deve ser objetivo, porém, descontraído e simpático. O profissional tem que ouvir mais e olhar para o paciente para inspirar confiança, destacou. Ao mesmo tempo, ele precisa evitar atrasos e, para isso, tem que aprender a maximizar o aproveitamento do seu tempo. Ele tem que ser organizado, ter atendentes educadas e revistas boas na sala de espera. Tem que ser prático, sem ser frio, salientou Fontenele.

Serviço

O curso será realizado na sede da Associação Paulista de Medicina (APM - Casa do Médico). Mais informações e inscrições pelo telefone (14) 223-0108.

Comentários

Comentários