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Funcionário acionista se sente dono

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 3 min

Abrir a participação acionária para os funcionários pode ser uma grande vantagem para as empresas. Assim que investem seu dinheiro e compram as ações, os funcionários passam a se sentir um pouco donos da corporação, se preocupam mais com os resultados e aprendem a trabalhar melhor em grupo. Segundo a diretora de recursos humanos da multinacional francesa de serviços Sodexho, Ana Cristina Coleti, os funcionários se sentem motivados em fazer parte da empresa e envolvidos com o seu processo de crescimento.

A Sodexho, que tem escritório em Bauru, é uma das empresas que abriu para os seus funcionários a possibilidade de investir no mercado acionário comprando ações da própria companhia de uma maneira acessível. Trata-se de um plano internacional de participação acionária aberto em 22 países dos 70 nos quais a multinacional atua no ramo de serviços - que incluem de limpeza à telefonia.

Para a surpresa da coordenação mundial do projeto, dos países selecionados, o Brasil foi o que teve maior adesão por parte dos funcionários, com cerca de 68% do quadro da empresa. O número surpreendeu porque, de acordo com Ana Cristina Coleti, o brasileiro não está acostumado com investimentos a longo prazo, principalmente feitos em outra moeda. Por ser uma empresa francesa, as ações da Sodexho estão na Bolsa de Valores de Paris.

Outro fator que ajudou na hora das adesões foram as facilidades criadas pela empresa, que possibilitou o financiamento do investimento. Cada funcionário (do office-boy ao diretor-presidente) podia investir, no mínimo R$25,00 ou participar dos planos Plus (investimento de 2,5% da remuneração anual) ou Classic (25% da remuneração anual), todos com rendimentos previstos para serem retirados em cinco anos. Mas a Sodexho, em parceria com um banco, financiou os valores, descontados mensalmente na folha de pagamento dos funcionários em sete vezes. O investimento só é interrompido se o funcionário vier a falecer, ficar inválido ou sair da empresa.

Todos ganham

Segundo Ana Cristina Coleti, os objetivos da empresa com o programa de participação acionária eram valorizar os funcionários, fazendo com eles sentissem uma certa vaidade por contribuir diretamente no sucesso da corporação; compartilhar o sucesso nos negócios; e desenvolver uma cultura no funcionário acionista que interferisse na sua performance no grupo. Ou seja, para que cada um soubesse que não é só o seu desempenho que importa, mas o desempenho de toda a equipe.

Pela quantidade de adesões, os objetivos foram plenamente alcançados. A satisfação dos meus funcionários aumentou muito porque eles se sentem co-proprietários agora, diz a supervisora operacional do escritório da região Interior Oeste do Estado de São Paulo da Sodexho, em Bauru, Celina Korin Yogui. A própria supervisora também se tornou uma acionista. Além de ser um grande investimento, foi uma oportunidade única porque investimentos em ações são sempre altos e nunca acessíveis para trabalhadores comuns, afirma. Sônia Schroeder, secretária do escritório regional em Bauru, também comprou ações da empresa. Comprei porque confio na empresa e sei que é um bom investimento, diz.

Na região Interior Oeste do Estado de São Paulo, que abrange Bauru, a Sodexho possui cerca de 200 empregados. Deste total, 80% aderiram ao programa. Hoje esses funcionários dizem assim: a gente já se empenhava ao máximo pela empresa, agora temos que dar o sangue. É vantagem para todo mundo, afirma Celina Yogui. Sônia Schroeder confirma: a gente muda no dia-a-dia, fica mais interessada, animada, realmente veste a camisa da empresa.

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