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Jaú: 148 anos com cápsula do tempo

Fabiano Alcantara
| Tempo de leitura: 3 min

Cápsula com objetos atuais destinada às futuras gerações será enterrada às 9 horas. Obelisco antigo será aberto hoje.

Jaú - Entre a nostalgia do passado e o desejo de cultivar a memória da cidade para o futuro, Jaú comemora hoje os 148 anos da cidade. A celebração, que começa às 9 horas, será marcada pelo fim do mistério envolvendo uma caixa, que estaria enterrada há 100 anos e deveria ser aberta pela atual geração de jauensenses. Além disso, uma nova caixa será enterrada para ser aberta daqui a 100 anos.

Não há certeza de que a caixa antiga realmente exista. Segundo a tradição oral, o material estaria enterrado na praça Siqueira Campos. Numa caixa conteriam documentos, moedas, jornais da época e outros materiais desconhecidos. De acordo com pesquisadores, um artigo do jornal O Estado de S. Paulo também comentaria o enterro da caixa. A data de publicação, no entanto, é desconhecida.

Como forma de preservar a memória da cidade, um monumento assinado pelo arquiteto Waldemar Bernardi será inaugurado e uma caixa para as gerações futuras, chamada de cápsula do tempo, será enterrada. Na cápsula estarão uma série de documentos, cartas, fitas de vídeos, CDs, livros, uma relação de dez acontecimentos que marcaram a história de Jaú no século 20 e uma homenagem a dez personalidades da cidade, que foram levantadas por alunos de toda a rede de ensino da cidade.

O prefeito João Sanzovo Neto (PDT) escreveu uma carta para as futuras gerações para ser enterrada na cápsula. De acordo com o chefe do executivo, na carta ele deseja que a cidade ainda tenha paz, segurança e qualidade de vida daqui a 100 anos.

As comemorações do aniversário da cidade acontecem a partir das 9 horas. Na programação estão as apresentações da Banda Marcial Tio Cassiano, Orquestra Experimental Fábio Lopes e show de MPB com a cantora Giovana Rossinette.

Perfil econômico e desafios

De acordo com o prefeito, Jaú ainda tem uma forte característica agrícola. No passado, a cidade foi uma das maiores produtoras de café do Estado. Hoje, a principal cultura é a cana-de-açúcar. No setor industrial, a cidade destaca-se na produção de calçado feminino, tecelagem, cartonagens.

Para Sanzovo Neto, a cidade busca diversificar a indústria, mas no mesmo ramo, formando um cluster, palavra norte-americana que indica a formação de várias indústrias correlatas. Por exemplo, a indústria de calçado é o carro-chefe, mas para chegar no calçado precisa ter o couro, a palmilha, o salto, a cola e a caixa para colocar o sapato. Está se formando a idéia de cluster, as empresas fornecedoras da indústria de calçado estão vindo para Jaú, afirma.

De acordo com o prefeito, um futuro está se abrindo para a cana-de-açúcar, com os projetos de gerar energia a partir do bagaço da cana e negociações para a venda de álcool para os Estados Unidos. Entre os desafios para o crescimento, Sanzovo Neto afirma ter herdado algumas dívidas sociais. Ele afirma que a principal delas diz respeito a 2,7 mil lotes urbanizados, que foram doados sem infra-estrutura de asfalto, guia, sarjeta e iluminação. Regularizar esta situação é o maior desafio que temos, diz.

O prefeito afirma também que a cidade tem problemas de falta de creches. Precisaríamos dobrar as vagas em creches para atender à necessidade da população, ressalta. Ele disse que já está atacando o problema e vai inaugurar diversas creches durante o seu mandato. A outra prioridade, segundo o chefe do executivo, é a área de saúde, com a ampliação dos postos de saúde e o investimento no programa Médico de Família. Comentando o futuro, Sanzovo Neto disse que espera ser lembrado daqui a cem anos como um prefeito que cumpriu com suas obrigações, olhou para o social, atendeu as carências que eram prementes no momento e que propiciou às futuras gerações uma melhor qualidade de vida.

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