Na terceira semana de julho de 2000, entre os dias 16 e 23, nós, catequistas das diversas paróquias da Diocese de Bauru, juntamente com o padre Milton César Carraschi, estivemos em Goiás Velho, antigamente conhecida como Vila Boa de Goiás. O padre Milton, na época era o assessor diocesano de catequese e hoje ocupa o cargo de assessor diocesano de pastoral.
Fomos a Goiás com o intuito de participar de um retiro espirito-cultural, um convite que partiu de D. Eugênio Rixen, bispo da diocese de Goiás, em 1999. Por meio desse roteiro espiritual, tivemos a oportunidade de conhecer uma cidade maravilhosa e vivenciar um pouco da história de Vila Boa de Goiás. Desse modo, venho partilhar um pouco do que conhecemos.
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Ruas estreitas, chão de pedra, velhos casarões, igrejas coloniais... Estamos em Vila Boa de Goiás, antigo Arraial de SantAna que germinou no Vale do Rio Vermelho aos pés da Serra Dourada no início do século XVIII. Vila Boa de Goiás, hoje cidade de Goiás, antiga Capital do Estado, preserva até nossos dias características que refletem a força da cultura de seu povo.
Um pouco da história de Goiás
Fundada em 1727 por Bartolomeu Bueno da Silva (Filho) com o nome de Arraial de SantAna, tornou-se paróquia em 1736 e comarca em 1737. Mais tarde, em 1739, foi elevada a categoria de vila com o nome de Vila Boa de Goiás, em homenagem a Bueno, seu fundador, e aos índios Goyazes, seus antigos habitantes.
Foi elevada à Capitania Geral em 8 de novembro de 1744, quando então separou-se da de São Paulo, tendo por Capital Vila Boa. Torna-se diocese em 1745, juntamente com São Paulo, Mariana e Cuiabá, desmembradas da diocese do Rio de Janeiro. Vila Boa de Goiás foi Capital de Goiás até 1937, quando a Capital foi transferida para Goiânia. Goiás, é uma palavra de origem indígena que significa gente da mesma raça. A cidade apresenta um clima semi-árido e o seu principal rio é o Vermelho. No século XVIII, foi a maior região aurífera do Brasil depois de Minas Gerais. O primeiro governador de Goiás foi D. Marcos de Noronha, Conde dos Arcos, que lá chegou em 1749.
O nativo da cidade de Goiás é chamado de vilaboense. A mais famosa das festas religiosas de Goiás é a Semana Santa. A tradição das procissões foi trazida pelo padre João Perestrelo em 1745, que veio de Sevilha. As velas e os archotes dão um aspecto místico à procissão. As comemorações duravam três semanas: 1ª, Senhor dos Passos; 2ª, Semana das Dores, e 3ª, Semana Santa propriamente dita. Esta chamava a atenção por causa da sua musicalidade.
No Domingo de Ramos, a procissão começava na Igreja de Nossa Senhora do Rosário e terminava na Catedral de Santana. A Sexta-Feira era um dia de destaque na Semana Santa, repleta de crendices e superstições. Durante a Semana Santa temos ainda algumas tradições folclóricas como O Testamento de Judas, A Cerração da Velha e A Queimação do Judas. É queimação, e não malhação.
Algumas curiosidades sobre Goiás Velho
A cidade tem um aspecto colonial, as ruas calçadas com pedras enormes, quase todas trazidas pelos escravos. As casas são espaçosas, com quintais enormes, onde há muitas plantas tanto ornamentais quanto frutíferas. Não se vêem portões para entrada de carros, pois não existem muitos carros. O comércio é bem movimentado, principalmente as lojas onde são vendidos artesanatos em cerâmica, como utensílios para cozinha, e o comércio de doces de frutas típicas da região.
Em princípio, estranhamos as diversas subidas e descidas, contudo, caminhar pela cidade foi muito bom, pois podíamos respirar ar puro e apreciar a paisagem longínqua da Serra Dourada, do rio Vermelho, das árvores típicas do cerrado, tudo isso trazia um ar de mistério à cidade, e certamente nos colocavam num contato mais íntimo com Deus.
Tivemos a oportunidade de conhecer uma das moradoras mais ilustres de Goiás, a pintora Goiandira Couto, uma simpática senhora que, na ocasião, estava com 84 anos. Seus quadros, feitos com areia natural de diversas cores, têm sempre como tema a cidade de Goiás. Seus trabalhos encontram-se em diversos países do mundo, sendo que um deles está na sede da ONU, em Nova Yorque.
Cora Coralina
Em Vila Boa de Goiás há muita coisa para ser visitada, dependendo do tempo que você dispor. É muito interessante conhecer a casa onde morou a famosa poetisa Cora Coralina, onde vendem-se as pílulas poéticas.
Dentre as igrejas destacamos a Catedral de Santana. A primeira capela foi edificada por Bartolomeu Bueno no século XVIII. A igreja de Nossa Senhora da Boa Morte foi construída em 1779 sobre os alicerces de uma das casas de Bartolomeu Bueno da Silva, o Anhanguera. Em 1968 passava a ser Museu de Arte Sacra da Boa Morte. Na sua porta principal tem início a Procissão do Fogaréu, homens com roupas medievais e máscaras carregam archotes pelas ruas da cidade à noite na Quarta-Feira Santa. Neste museu encontra-se a maior parte das obras do santeiro goiano Veiga Valle. A Igreja do Rosário foi construída em 1934 para substituir a dos escravos de 1734. A maior parte das igrejas pertence ao século XVIII e são dignas de serem visitadas.
Dentre os museus, destacamos o Museu das Bandeiras que funciona no antigo prédio da Casa de Câmara e Cadeia. Este constitui um dos melhores exemplos da arquitetura colonial portuguesa no Brasil. O que vimos lá foi impressionante, principalmente o suplício a que eram submetidos os presos.
O Centro Cultural Palácio Conde dos Arcos, Conde dos Arcos, é uma homenagem ao primeiro governador privativo de Goiás: dom Marcos de Noronha (1749-1755). É um palácio enorme, com diversas obras de arte, mobiliário artesanal e um jardim muito bonito.
Participamos de uma Celebração Eucarística no Mosteiro da Anunciação do Senhor. Seu prior, padre Marcelo Barros, nos acolheu com muito carinho e amor cristão. O local transmite paz e alegria. É tudo muito diferente, o que mais nos chamou a atenção foi o auto relevo da Santíssima Trindade, representando as três raças que formaram o povo brasileiro. Deus pai é representado pelo índio; Deus Filho pelo negro, e Deus Espírito Santo pela mulher que foi fecundada pelo Espírito Santo.
Há ainda em Goiás Velha muita coisa para ver e admirar, mas não deixe de apreciar a beleza de sua paisagem natural. Procure conversar com o vilaboense, que é uma gente amiga, alegre e acolhedora.