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Barreirinhas e o Rio Preguiças

Eliane Barbosa
| Tempo de leitura: 7 min

O aeroporto de Barreirinhas é simplório assim como a pista que precisa e será melhorada diante do fluxo de turistas que vem crescendo. Os passageiros são aguardados por Toyotas, com tração nas quatro rodas, que os levarão às pousadas da cidade e depois para a grande aventura rumo aos Lençóis.

Somente veículos com esses recursos para agüentar o tranco - mesmo assim o nosso, da empresa Mandacaru, responsável pelo transporte, atolou -. Bagagem no quarto, tênis nos pés e a gente parte feliz da vida para o passeio. E que passeio. Não pense que logo logo avistará as dunas. Isso demora. Você seguirá com a Toyota até o cais do rio Preguiças, calmo como diz o próprio nome. Com uma lezera danada fique aguardando a balsa (puxada por dois rapazes, no muque) para a travessia. O local é bucólico. Os cachorros dormem, as crianças brincam à sombra das árvores de urucum, as galinhas cacarejam e as mulheres passam horas na lida, lavando as roupas da família. Enquanto lavam, cantam, conversam e levam a vida numa boa.

Embora os nordestinos gostem mais dos cariocas de uma forma geral - o Maranhão é Nordeste e não Norte, embora fique na Amazônia Legal - os paulistas, povo trabalhador da terra da grana, são muito bem recebidos. Essa gente simples entende perfeitamente como o turismo é importante para eles e como pode melhorar suas vidas.

As mulheres tem importância fundamental na vida econômica, política e social de Barreirinhas. São elas que remam os barcos que vão e soltam de um lado a outro do rio, que reivindicam do prefeito melhorias para a comunidade e que ensinam aos filhos regras de convivência, incutindo em suas mentes a importância do estudo.

O guia que nos levou aos Lençóis, para você entender como a coisa é perfeita naquele lugar onde não há ostentação e vive-se com o básico, trabalha o dia todo na pousada, vai e volta dos Lençóis, toma banho e se alimenta na casa de mainha e ruma para a escola noturna. Às 9 da noite fecha os livros, volta para o aconchego da família e descansa certo de que a vida só tem que melhorar.

Dunas e a Grande São Paulo

As dunas dos Lençóis Maranhenses ocupam uma área do tamanho da Grande São Paulo. Dá para imaginar? E entre elas, surgem milhares de lagoas com tonalidades que variam do verde-claro ao azul intenso. Algumas chegam a ter 2 km de extensão e 5 metros de profundidade. Uma miragem, um sonho!

Um dia não é igual a outro nos Lençóis. Isso porque as imensas dunas - você terá que ter fôlego para atravessá-las - se movem ao sabor dos ventos, em meio às lagoas que exibem tonalidades diferentes. Formadas pelas chuvas, elas fazem do parque um deserto repleto de oasis que também mudam de cara conforme as estações do ano. A melhor época para visitar os Lençóis é agora, em agosto, estação em que chove bastante no Maranhão tornando a paisagem ainda mais bela.

Faça de Barreirinhas a sua morada pelo menos por dois, três dias. O povoado cujos habitantes dão uma lição de convivência pacífica com a natureza - ninguém estraga nada, ninguém joga um papelzinho nos Lençóis, mantendo-o intocável - é a porta de entrada para essa paisagem sem igual. Às margens do Rio Preguiças, a cidade oferece acomodações simples e agradáveis, além da proximidade com o Parque dos Lençóis e a vegetação exuberante. Lá em cima, no monomotor, você sabe que está chegando a Barreirinhas quando avista uma comunidade com uma única e grande duna ao meio. Em torno dela, cresceu o povoado que tem vida própria e uma pousada charmosíssima, a Buriti.

Por terra

A viagem até os Lençóis Maranhenses partindo de São Luís, também pode ser feita por terra, de ônibus ou veículo com tração nas quatro rodas. Mas demora demais. A Gerência de Turismo do Maranhão promete para breve melhorias na estrada, o que tornará a viagem mais rápida.

Por enquanto, aconselha-se só para aventureiros, gente com muita lenha ainda para queimar. Na rodoviária de São Luís as passagens para Barreirinhas custam em torno de R$ 30,00. O primeiro ônibus sai às 7 da manhã e a viagem é uma maratona, com o percurso sendo feito em mais de oito horas de viagem. Apenas o trecho inicial - coisa de duas horas - é por asfalto. O restante é por areia mesmo!

Pelo caminho encontram-se matas de buriti e pequenos povoados que parecem ter parado no tempo. As casas, cobertas, lógico, com palha de buriti, tem chão batido, uma minúscula horta onde os temperos são cultivados e galinhas engordando para o Natal e outras datas especiais. A alimentação básica é o pescado e a carne de sol. O caminho lembra os lugares retratados por Walter Salles no filme Central do Brasil ou na música de Vinícius de Moraes. Casas simples, com cadeiras na calçada, onde com certeza existe um lar.

(*) Colaboração: Governo do Maranhão.

(**) A jornalista viajou a convite do Governo do Maranhão e da Varig.

Serviço

As operadoras de turismo têm pacotes para o Maranhão, incluindo viagem a São Luís e aos Lençóis Maranhenses. A Varig voa diariamente para São Luís e a viagem leva em média cinco horas e custa, em tarifa promocional, R$ 411,00 (ida). Para ir de avião até Barreirinhas ligue antes de viajar para o comandante responsável pelos vôos (98) 225-2882. A viagem custa em torno de R$ 800,00 (divida o valor com o grupo).

Nunca vá ao Parque sem guia. É perigoso, você pode se perder e há poucas chances de ser achado.

Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses é o único deserto do mundo que abriga milhares de lagoas de águas cristalinas, em meio às dunas de areia branca

Os Lençóis formam um cenário indescritível, uma paisagem sem igual no mundo

O Parque dos Lençóis é maior que a cidade de São Paulo: tem mais de 100 km de extensão e penetra 50 km continente adentro

Durante décadas, os Lençóis eram um segredo muito bem guardado pelos maranhenses. Agora, essa maravilha da natureza está à sua espera

Caudaloso, o Rio Preguiças em seu curso traça uma linha divisória entre a cidade de Barreirinhas e a região conhecida como Pequenos Lençóis, com as mesmas características do parque, mas em proporções bem menores

Além de Barreirinhas, Caburé é outra opção de hospedagem. Você pode partir do cais de barreirinhas em um voadeiras (lanchas com motor de popa, que cobrem a distância em uma hora) e por barco (o que serve a população ribeirinha)

Em Caburé há uma praia praticamente intocada, com aproximadamente 30 quilômetros de extensão, que chega até a barra do Rio Novo, cidade de Paulino Neves

O farol Mandacaru, entre Caburé e Barreirinhas, para quem não viajou de monomotor, precisa ser visitado para se ter uma idéia da imensidão do deserto brasileiro e como tudo aquilo é intocado

O buriti é uma palmeira que chega a medir 50 metros de altura e dela se aproveita quase tudo. Suas folhas cobrem grande parte das casas dos vilarejos, o palmito dela extraído vai para a cozinha, assim como os derivados de seus frutos, como o tradicional doce de buriti, o suco e o óleo. A madeira serve para fazer canoas e casas. Do buriti também é extraída uma espécie de linha que serve para o artesanato (confecção de toalhas, bolsas, etc)

A viagem até Barreirinhas já é um passeio incrível. De avião, pode-se avistar toda a imensidão do Parque dos Lençóis. A partir de Barreirinhas, explorar o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses. É uma aventura para se fazer de barco, pelo Rio Preguiças ou de jipe

Depois de uma longa caminhada pelas dunas, nada como um mergulho refrescante em suas belas lagoas

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