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Lençóis Maranhenses: uma miragem

Eliane Barbosa
| Tempo de leitura: 2 min

Li e assisti tudo que me chegou ao alcance sobre os Lençóis Maranhenses, lugar que durante anos planejei conhecer. Mas somente estando lá, e me sentindo minúscula diante daquela imensidão de areia branca, com o vento soprando sem parar e diante da visão do paraíso é que pude entender o que os jornalistas sentiram nos relatos da mesma experiência.

Chegar aos Lençóis não é tarefa fácil e nem é barato. Você precisa comprar um pacote ou uma passagem aérea até São Luís do Maranhão, depois alugar um monotomor com capacidade para no máximo seis pessoas e durante mais de 50 minutos cruzar o Norte do Estado, rumo a Barreirinhas, a principal cidade da região. A passagem aérea promocional, com 40% de desconto, pela Varig, está custando R$ 411,00 (ida). Para Barreirinhas você paga mais uns R$ 200,00 de transporte.

Os aviõezinhos saem do Aeroporto de São Luís logo cedo, perto das 7 da manhã. Por melhor que seja a noite na Capital do reggae, lembre-se que você terá que acordar bem cedo, lá pelas 5h30, para não perder o vôo. O tempo, pela manhã, em São Luís é sempre bom e a visão - como o monomotor voa baixo - é gratificante. Depois de meia hora de vôo a paisagem vai mudando. A vegetação é intercalada com areia branca e a gente não avista nenhuma viva alma em lugar algum.

Embora o vôo não balance - o pessoal, brincando, lembra que a turbulência é menor do que nos jatos - o coração acelera pela ansiedade de logo mais avistarmos o imenso Parque dos Lençóis. Impressionante como a natureza foi pródiga ali no Maranhão! Segredos, muitos segredos guarda esse Estado brasileiro que reúne deserto, cachoeiras, delta, rios, mar e ilhas. O Parque dos Lençóis, por si só já paga a viagem. O contato com a natureza intocada, com aquele povo simples e hospitaleiro que habita esse ponto distante do Brasil é emocionante.

Antes de descermos em Barreirinhas o piloto fez um vôo rasante para fotos e novas emoções. O calafrio cresce porque as dunas vão se sucedendo sem parar, entermeadas com lagoas de cores que vão do verde-escuro ao azul celestial. Como se o céu e a terra se tocassem e se completassem.

E não se vê ninguém naquele universo. Um turista aqui ou outro acolá não é notado nesse grande deserto de dunas e areias brancas, estendidas como um imenso lençol à beira do Atlântico.

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