Geral

Onde nasce a corrupção?

(*) N. Serra
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Em cima de declarações do presidente Fernando Henrique Cardoso, postas na rua a propósito da busca do entendimento nacional, e segundo as quais está o Governo disposto a desbaratar as casamatas da corrupção escavadas em pontos estratégicos da administração pública, uma atitude de inegável alcance moralizador está aparecendo no cenário. Acreditando que a maioria dos ninhos do problema se esconde na contratação de grandes obras públicas, principalmente estradas de rodagem, cujos processos muitas vezes deixam deliberadamente livres para voar dirigentes de órgãos e membros de comissões de licitações, inúmeros sindicatos de empresas construtoras com base em vários pontos do País decidiram defender junto ao Governo Federal a necessidade de nova reforma da legislação que rege o setor. A idéia é cercar por todos os flancos saídas administrativas que favoreçam a continuidade dos resvalos, que propiciem as maracutaias que desviam dos cofres públicos fabulosas parcelas das receitas custosamente conseguidas pelos governos, autarquias e fundações das três órbitas. A nova reforma teria de ser agressiva, indo mais a fundo para, se não acabar, ao menos reduzir os caminhos da corrupção.

A iniciativa dos sindicatos é meritória, elogiável sob todos os pontos de vista, já que o Governo Federal, com a corda no pescoço, prevendo que a perpetuação dos desvios, vergonhosamente danosa à economia nacional, pode levá-lo a total ingovernabilidade, se revela agora disposto mesmo a impedir que servidores desonestos continuem metendo as mãos gananciosas nos recursos consignados a melhoramentos públicos, tanto reclamados pela Nação. O importante seria, no entanto, que os sindicatos dos demais setores de prestação de serviços aderissem à iniciativa, buscando promover também melhorias na sua própria legislação. Seria um abrir de leque capaz de moralizar todos os tipos de licitações públicas e, conseqüentemente, pôr freio no problema que não só locupleta os desonestos e aproveitadores, incautamente guindados a postos importantes da administração, em todos os respectivos níveis, como desmoraliza as instituições em geral perante a opinião pública, as quais, por isso mesmo, aí estão protestando contra a problemática nas vias públicas. Urge detectar toda a gama de ninhos de corrupção, onde nascem as falcatruas que depauperam as arcas públicas, a fim de que o País, respirando ares de plena honestidade, possa escapar do precipício para o qual poderá caminhar inexoravelmente. É a nossa opinião.

(*) O autor, N. Serra, é o Jornalista Responsável do JC e Delegado Regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.

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