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Detentos de prisões diversas ligavam para uma central, em Dois Córregos, que completava ligações, possivelmente para o Primeiro Comando da Capital.

Redação
| Tempo de leitura: 3 min

Detentos de prisões diversas ligavam para central que por sua vez completava ligações, geralmente para outros marginais.

Jaú - Uma espécie de central telefônica para receber e completar ligações de presidiários, possivelmente integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC), foi desativada ontem, numa ação conjunta entre a Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Jaú e a Polícia Civil de Dois Córregos. A central, que na realidade era uma linha inteligente adaptada, funcionava na residência de uma mulher, Maria Elisa Massiteli, 47 anos, na rua Dois, em Dois Córregos.

Além da mulher que foi detida em flagrante, a polícia identificou outros três prováveis colaboradores do sistema, todos filhos de Maria Elisa. Um deles, Lauro Massiteli Fernandes, cumpre pena na penitenciária de Assis e seria o mentor da central. Os outros são Roberto, que também foi detido e a menor R.M.F, 15 anos, que será apresentada à Vara da Infância e Juventude. Os dois rapazes devem ser indiciados, assim como a mãe, por formação de quadrilha e corrupção de menores.

De acordo com o delegado Edmilson Marcos Bataier, da DIG de Jaú, as investigações que culminaram com o flagrante que começou anteontem e terminou ontem, já vinham sendo desenvolvidas há algum tempo. Denúncias anônimas colaboraram para que a polícia iniciasse as diligências.

Diante das fortes evidências, a polícia, com a devida autorização judicial, providenciou uma escuta telefônica. A partir de então, os policiais passaram a monitorar as conversações. Constatamos que na verdade havia uma espécie de secretária que através de um Pabx recebia as ligações a cobrar pedindo as ligações. Eles (os detentos) passavam os números e a mulher e os filhos completavam a ligação.

As ligações para a central, segundo o delegado Bataier, chegavam de prisões diversas, de várias cidades do País. Pode-se dizer que era uma central porque funcionava quase que ininterruptamente, era praticamente direto. Nós gravamos 28 fitas rapidinho. Para se ter idéia do movimento na central, o delegado explicou que num prazo estimado em 20 minutos, eram recebidas até 15 ou mais ligações.

As ligações recebidas pela central eram praticamente todas a cobrar. Portanto, diz o delegado, quem pagaria a conta seria a central, que também completava as ligações para os presos. As contas referentes à linha telefônica eram entregues, segundo o delegado, num endereço diferente. A linha telefônica estava no nome de outra pessoa e não da família Massiteli, possivelmente para não chamar a atenção.

Durante o flagrante, a polícia apreendeu vários equipamentos na casa de Maria Elisa. Segundo Bataier, foi apreendido inclusive um celular que estava em poder de Lauro que está preso em Assis.

Até ontem, polícia ainda não sabia exatamente a quanto tempo essa central estava em operação mas trabalha para esclarecer a questão e não descarta o envolvimento de outras pessoas.

De bandido para bandido

Um detalhe que chamou a atenção, segundo o delegado, foi o teor das conversações gravadas. Constatamos que 90% do teor das ligações referem-se a atividades criminosas, inclusive roubo de carga, tráfico de entorpecente e até roubo a banco.

Segundo o delegado, como o material gravado é vasto, será feita uma espécie de triagem e distribuição para cada região checar o assunto pertencente à área que lhe compete.

Ainda sobre as chamadas, Bataier disse que a maioria delas era de presidiário, por celular, mantendo algum tipo de comunicação com outros envolvidos no mundo do crime. Dificilmente os presos pediam ligações para familiares. Isso mostra que mesmo detidos, eles continuam comandando negócios criminosos, através de contatos com marginais em libertade. O presidiário Lauro Massiteli, segundo a polícia, seria uma espécie de mentor da central. Ele, enquanto detento, teria sido freguês da central telefônica que foi desativada na Capital, há poucos meses. Tendo conhecimento da tecnologia necessária, teria ele resolvido montar algo semelhante.

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