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Mitsubishi cria o primeiro rali virtual do planeta

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 8 min

Lançamento foi feito por Jutta Kleinschmidt, primeira mulher a vencer o rali Paris-Dakar.

Primeira mulher a vencer o mais difícil e perigoso rali do mundo, o Paris-Dakar, e atual líder do Campeonato Mundial Cross Country, a alemã Jutta Kleinschmidt esteve no Brasil, na última quarta-feira, para lançar o primeiro rali virtual do planeta: o Desafio Mitsubishi L200.

Na oportunidade, Jutta, considerada a madrinha do Desafio, contou um pouco das aventuras, medos e desafios que enfrentou ao longo da prova, quando superou os perigos do deserto e terminou na frente na edição 2.001 do Dakar com um Mitsubishi Pajero Full.

Além de representantes da Mitsubishi, o evento contou com a presença da jornalista global Leilane Neubarth, que em 1.999 participou da edição daquele ano do Rali da Morte competindo na categoria caminhões.

A experiência mundial da Mitsubishi em ralis pelo mundo - como o Paris/Dakar, Cross Country, Rally dos Faraós, Rally dos Sertões - aliada aos resultados de visitas na área de esportes do site da montadora deram origem ao Desafio Mitsubishi L200. Ele acontecerá de 16 de agosto a 9 de setembro na Globo.com.

O Desafio L200 apresenta as mesmas regras e variáveis de um rali de regularidade. O competidor se inscreve, prepara e adesiva seu Mitsubishi, treina e disputa a prova. E, se conquistar o primeiro lugar, recebe como prêmio uma Mitsubishi L200 Cabine Dupla 4X4 GLS zero quilômetro.

As inscrições serão feitas através do endereço www.desafiol200.com.br. O competidor poderá inscrever-se como piloto isolado ou em equipe, bastando fornecer seu CPF, que estará vinculado a uma das concessionárias autorizadas da marca no Brasil.

O Desafio foi planejado e criado pela montadora e por sua agência de marketing online, DOTCOMM, e contou com a participação da empresa Trails Sistemas no desenvolvimento do sistema que gerencia um número incalculável de variáveis que tornam o rali virtual uma realidade on line.

A estratégia da competição começa na configuração da L200 Cabine Dupla para enfrentar os diferentes terrenos. Cabe ao jogador definir, por exemplo, o tipo, a calibragem dos pneus e a suspensão usada, entre outras opções para montar o carro.

A variação do clima é outra surpresa reservada aos competidores. Fenômenos como tempestades, chuva de granizo e neblina poderão surgir para testar as habilidades. Já a aquisição de equipamentos como o guincho será importante para se sair mais rapidamente de um lamaçal. Todas essas configurações estão especificadas em um manual de dicas criado pela Mitsubishi para auxiliar os jogadores. Os obstáculos podem ou não conter a opção de múltipla escolha.

O Paris-Dakar

Uma lição de vida. Assim Jutta definiu a sua experiência de participar pela 11.ª vez no Paris-Dakar, chamado de Rali da Morte pelos seus perigos. Correr o rali foi a maior experiência de toda minha vida. Vejo pessoas brigando seriamente por pequenas coisas, criando grandes expectativas para a felicidade, perdendo tempo precioso que lhes foi dado para viver, desfrutar e ser feliz. Não acho que o dinheiro e a fama sejam o que realmente importam e que sejam o único sinônimo do sucesso. O Paris-Dakar me ensinou a dar o devido valor para as coisas da vida. Essa foi a principal lição, ressaltou a alemã.

Na edição 2.001 do rali, Jutta competiu entre 111 participantes da categoria veículos, que contava com mais de 10 marcas. A alemã de 38 anos enfrentou - e superou - vários desafios do Paris-Dakar, como as oscilações climáticas. No deserto, as temperaturas podem variar, em um único dia, de 45º C a 0º C.

Além disso, pilotando um Mitsubishi Pajero Full, recém-lançado no Brasil, Jutta percorreu 11 mil quilômetros de deserto, onde as dunas chegavam até 30 metros de altura, cruzando seis países em 21 dias e tendo apenas um para descanso.

Outro fator que dá ainda mais mérito à conquista da alemã foi o fato de competir com um carro cerca de 600 kg mais pesado em relação aos chamados protótipos, como o do francês Schlesser, adversário com experiência em várias edições do rali e até de Fórmula 1.

Apesar disso, para Jutta, a maior dificuldade foi a parte final do rali, quando a ansiedade pela vitória e o medo de que algo desse errado se misturaram. No final, quando faltavam cerca de 35 quilômetros, fiquei com medo de alguma coisa acontecer, como furar um pneu ou cometer um erro, e a vitória escapasse. Em um rali difícil como esse, pode-se esperar de tudo, enfatizou a alemã, para depois acrescentar:

Para encarar o Paris-Dakar, é necessário estar bem fisicamente e psicologicamente e ficar atento ao fato que ele dura mais de 20 dias. Após alguns dias, o cansaço começa a atingir a todos, desde pilotos até mecânicos, co-pilotos, engenheiros, etc. E é justamente nessa hora que temos de nos preocupar em manter a concentração para evitar erros. Mas, para isso, é necessário preparo físico.

Segundo Jutta, o Paris-Dakar começa para valer quando os carros entram no Marrocos. Nele, as estradas são estreitas e muito perigosas, cheias de pedras, o que é um ótimo teste para os pneus. Já na Mauritânia, o papel do navegador assume importância ainda maior, pois há muitas dunas e sua areia é a mais terrível que já conheci. Sem dúvida, esse é um piores trechos do rali, frisou a alemã.

Para ela, cada rali é especial. Todos são bons e têm suas particularidades, mas é sempre um prazer participar de cada um deles. Gostaria muito de um dia estar presente em um aqui no Brasil, revelou Jutta.

A alemã não se considera favorita e nem pressionada para a próxima edição do Rali da Morte. A pressão é maior quando não se ganha. Como já ganhei uma vez, fico mais tranquila, afirmou.

Ela acredita que, futuramente, os regulamentos dos ralis não irão permitir mais a participação dos protótipos. Esses veículos são construídos especialmente para competir em ralis, por exemplo, e é muito difícil vencê-los. O ideal seria todos os carros terem a carroceria padrão, mantendo as características originais, conclui Jutta.

Aceitação masculina

Para uma mulher, correr em um ambiente predominantemente e tradicionalmente masculino não é fácil. Jutta sentiu a pressão no Paris-Dakar e afirmou que o mais difícil é ser aceita pelos homens. No começo, você é bem vinda e bem recebida pelos homens, pois eles ainda não encaram você como uma adversária. Mas, a partir do momento que você começa a ultrapassá-los, eles não ficam mais tão bonzinhos assim, disse Jutta, comentário que foi seguido de risos na platéia da entrevista coletiva.

Jutta destacou que a grande maioria dos homens, cerca de 90%, aceitam esse fato. Há ainda uns 10% que não conseguem engolir ser ultrapassados por uma mulher, considerou a piloto alemã.

Ela afirmou que a mulher nasce acostumada com a pressão, pois em qualquer atividade que se destaque ela estará sendo mais observada e cobrada em dobro pelos resultados. Por este motivo ela diz concentrar-se mais na experiência de correr um rali do que na vitória propriamente dita. Levo em conta que estou fazendo o que amo fazer e que a vitória é apenas uma conseqüência disso.

Para Jutta, os homens são realmente mais agressivos e correm mais riscos. Mas isso ocorre não somente por sua natureza, mas também por uma questão de foco. Enquanto ela está focada na vivência dessa experiência e em tudo o que isso pode trazer de bom para sua vida, os homens estão muito mais focados na vitória.

Carreira

Nascida em Köln e criada em Berchtesgaden, cidade aos pés dos Alpes no extremo leste da Alemanha, Jutta Kleinschmidt participou pela primeira vez de um rali aos 25 anos, correndo de moto. Jutta iniciou sua carreira em eventos off-road em 1.987 durante o Rali dos Faraós. Um ano depois, já registrava a sua primeira participação no Paris-Dakar, quando competiu com uma moto construída por ela. Nessa hora, seus conhecimentos de engenharia e física, áreas onde é formada, contaram muito. Uma vez, quando estava em férias, segui o Paris-Dakar e gostei tanto que decidi que aquilo tinha tudo a ver com o que eu gostaria de fazer. Então, construí uma moto e comecei a correr nele, disse ela.

Trabalhou no Departamento de Ciência e Pesquisa da BMW durante seis anos. Até que, em 1992, resolveu se dedicar exclusivamente à profissão de piloto, o que mudaria definitivamente seu destino.

Após uma experiência como co-piloto no rali UAE Desert Challenge, em Dubai, em 1994, Jutta saiu em busca de novos desafios e, pela primeira vez, competiu dirigindo um carro no Rally da Tunísia. Seis anos depois, em um Mitsubishi Pajero Full, tornou-se campeã do Rally Paris/Dakar.

Atual líder do World Cup for Cross Country Rallies, o campeonato mundial de rali off-road, Jutta Kleinschmidt é também piloto de testes da Mitsubishi.

A carreira de vitórias da alemã é resultado de sua disciplina e dedicação como esportista. Jutta acredita que a experiência no deserto mudou sua vida. No deserto aprendi a dar valor às coisas realmente importantes na vida, pois sei dar a dimensão correta para os problemas do cotidiano, afirma Jutta. Durante sete anos, acumulou grandes conquistas, entre elas o primeiro lugar na categoria feminina no Rally dos Faraós.

(Fonte: Assessoria de Imprensa da Mitsubishi)

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