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CHICO NASCIMENTO

Joaquim Eliseo Mendes
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Sempre é tempo para se reverenciar um homem e grande educador. Nascimento, para sua esposa Haydee. Paizão, para os quatro dedicados e amorosos filhos. Professor, para os seus ex-adjuntos das escolas isoladas, dos grupos escolares, Delegacia de Ensino e alunos da ITE. Chico Nascimento, para os colegas e amigos íntimos. Estas foram algumas formas do carinhoso tratamento que recebeu em sua trajetória de vida humilde, despretensiosa, exemplar, como estrela brilhante cuja luz continuará a irradiar-se na educação, embora tenha deixado de existir.Refiro-me ao pranteado e inesquecível professor Francisco Nascimento, falecido recentemente, um triste acontecimento que deixa de luto a educação e que entretanto coincidiu com um importante fato histórico, o dia em que Bauru completou seus 105 anos. De acordo com os preceitos e sabedoria divinos contidos no Eclesiastes, tudo tem o seu tempo, não apenas em relação à vida do homem, mas em tudo que o rodeia. Há tempo de nascer e de morrer; tempo de semear e de colher; tempo de ser e deixar de ser; tempo de começar e terminar! E na vida deste grande educador, tudo teve o seu tempo. O tempo de sua infância e adolescência na cidade de Piracicaba; o tempo de difíceis anos como professor de escolas isoladas em fazendas desprovidas de luz, transporte e conforto mas que contava com o calor dos seus pequenos alunos e reconhecimento dos pais. E, após o horário, na solidão da sala de aula ou do seu quarto, preparava suas atividades seguintes e corrigia cadernos. E nas noites se comprazia, como única distração, em admirar as estrelas do céu e pensar em sua família distante. Teve o tempo de vir para a cidade, prestar os concursos para diretor de escola e inspetor escolar. O tempo de ser diretor do então Grupo Escolar Luiz Castanho de Almeida no qual sua passagem ficou gravada dentre aqueles que o conheceram e com ele trabalharam. O tempo de ser autor de livros, dentre os quais deve ser destacado o Guia do Professor a que dei continuidade até os presentes dias. Em sua vida chegou o tempo de parar para o trabalho iniciando um novo tempo de dedicação plena à família. Chegou o tempo de não ter mais horários, compromissos, de poder fazer suas idas diárias e matinais à Caixa e ao Banespa para a retirada dos extratos; de freqüentar as missas vespertinas da Catedral, de fazer suas caminhadas pelo bairro; de receber em casa as visitas de familiares, colegas e amigos. Suas conversas agradáveis, enriquecedoras, dos assuntos os mais variados pela sua grande cultura, depois de muitos giros caiam no que ele mais amava, depois da família, a educação. E teve o tempo de Chico Nascimento partir desta vida apesar de todas as orações da esposa, filhos, netos, amigos e colegas. Enfim, sua vida de pai, chefe de família e mestre, repleta de mensagens e exemplos teve o seu tempo! E partiu.

(Joaquim Eliseo Mendes - RG: 2.783.300)

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