O programa de descentralização do sistema prisional e das unidades ligadas à Fundação Estadual do Bem-Estar do Menor (Febem) não deverão beneficiar as famílias dos infratores, prevê o professor e pesquisador Edson Passetti.
Segundo ele, o único efeito do programa é a descentralização administrativa. O ciclo é o mesmo. Para as famílias, isso não ajuda em nada, como você verá com o tempo que crescerá assustadoramente o número de internos nas prisões e na Febem, inclusive de Bauru. A tendência é essa, porque, convenhamos, o chamado crime gera empregos úteis, empregam um monte de gente e até mais gente que o contingente de internados, afirma o professor.
Como o sistema prisional não está apartado da sociedade, Passetti não vê como as famílias dos presos não se envolverem na economia ilegal. E isso existe e existirá indiferentemente das prisões serem descentralizadas ou não, sustenta.
Por essa razão, o professor não enxerga benefícios na privatização dos presídios. Já há várias empresas que se beneficiam da mão-de-obra de presos para lucrarem mais, você imagina, então, o que vai resultar de um presídio privado. Eu sou totalmente avesso a penitenciárias. Elas não resolvem absolutamente nada, como nenhum regime punitivo, de castigo, resolve, finaliza.