A Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma) não tem dados precisos de quantos bolsões de restos de materiais da construção civil existem em Bauru. Mas o arquiteto Paulo Canguçú Burgo, professor de estudos ambientais e ecológicos nas Faculdades dos Módulos de Caraguatatuba., que está estudando o problema para um trabalho acadêmico catalogou 53 pontos de depósito de sobras de materiais na área urbana durante um vôo panorâmico sobre Bauru.
Canguçú integra um grupo de estudos dos bolsões de entulho na cidade. Além do próprio Luiz Pires, o grupo conta com Nariaqui Cavaguti, e Adilson Renófio.
A própria Prefeitura, em outras épocas, autorizou o depósito das sobras de material da construção civil em vários pontos da cidade, a grande maioria na periferia. Assim, foram surgindo os chamados bolsões de entulho que, segundo divulgou a Prefeitura há alguns anos, somavam 41 em todo o município.
Não raras vezes, os bolsões de entulho também acumulam lixo domiciliar, material que deveria ter sido recolhido pelos caminhões da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural (Emdurb) e levado ao aterro sanitário - a empresa mantém o serviço de coleta de lixo em toda a cidade. Luiz Pires, titular da Semma, reconheceu que a Prefeitura autorizou a criação dos bolsões na cidade.
Ele explicou que, no decorrer dos anos, por não existir um local específico em Bauru para receber sobras da construção civil, a Prefeitura permitiu o depósito de entulho em algumas erosões. No entanto, segundo ele, nunca foi feita fiscalização para verificar quais materiais estavam sendo deixados nesses bolsões. Além disso, a população se encarregou de criar novos pontos de despejo, muitas vezes em locais inapropriados.