Pescador que é pescador sabe que peixe gosta de ser bem tratado. Por isso, quem possui uma área às margens de um rio deve fazer a ceva, estimulando a freqüência dos peixes na região.
O pescador e advogado aposentado Luiz Francisco Cardoso possui uma propriedade às margens do rio Batalha, em Reginópolis, há 40 anos. O lugar é preservado e chega a destoar da imagem que o rio possui em regiões próximas a Bauru. Lá ainda é possível encontrar mata, animais selvagens e espécies variadas de peixes.
Cardoso conta que faz uma ceva no rio Batalha, todas as semanas. A ceva no rio é muito importante e dá resultado. O pescador já fisgou bons exemplares de piapara, um peixe arisco, brigador, que exige bastante silêncio em sua pescaria. Seu recorde, no rio Batalha, foi uma piapara de 3,5 Kg.
O milho azedo e quirela são usados para a ceva, mas deve que estar bem azedo, explica. Cardoso comenta também que até os lambaris daquela região são bem nutridos. Já fisgamos tambiús do tamanho de um copo, lembra o pescador.
Cardoso, apaixonado por pesca, decidiu montar em sua chácara um tanque para a criação de pacus. Os peixes estão sendo tratados há mais de dois anos e já alcançam os três quilos. É um bom peso para consumir o pacu, pois está com pouca gordura, excelente para ser assado, comenta o pescador.
Os pacus são tratados na ração e com frutas do pomar, como acerola, manga, goiaba, mamão, laranja e até ameixa do Japão. O cardápio depende da época, pois os peixes comem a fruta da estação. O curioso é que o tanque também recebe novos moradores. Cardoso tem o hábito de soltar no tanque alguns dos peixes fisgados no rio Batalha. Temos muitos lambaris, mas já colocamos também a piapara e o campineiro.
O pescador lembra um detalhe muito importante para a sobrevivência dos peixes, que é a retirada das farpas. O anzol com farpa pode machucar o peixe, impedindo-o de se alimentar e até morrer.
O tablado é o ponto de encontro de toda a família, de onde é possível pescar com tranqüilidade e segurança. Seus netos Lucas, Priscila e Matheus, ao lado da avó Lígia, adoram passar o fim de semana na chácara. O tanque de pacus também atrai os amigos, que arriscam no pesque e solte, mas ninguém ainda conseguiu fisgar uma das piaparas que estão no lago e segundo o pescador Cardoso, não são poucas. Elas estão lá, mas não são fáceis de pegar, finaliza.