Prestar bastante atenção à proporção preço/peso. Essa é a dica do supervisor técnico regional do Instituto de Pesos e Medidas (Ipem), Luiz Antonio Brizzi, para que os consumidores evitem maiores prejuízos em meio a tantas mudanças e distorções de peso e medida de produtos dos mais diversos gêneros, como alimentícios, de higiene e limpeza. Segundo Brizzi, entre os principais alvos das alterações de peso ou metragem estão a sardinha em conserva, sabonete, biscoitos e papel higiênico.
A concorrência acirrada fez com que fabricantes dos mais variados produtos reduzissem alguns conteúdos para garantir o lucro. Essa estratégia de mercado está causando reflexos diretos junto aos consumidores que, por sua vez, não podem mais se contentar em comparar preço e qualidade dos produtos. Essa nova realidade obriga a população a prestar atenção no peso e na medida dos itens que estão adquirindo, porque muitas vezes a compra é determinada pelo valor mais barato sem o consumidor perceber que está levando menos para casa.
Quando a pessoa vai comprar um pacote de biscoitos, por exemplo, tem que prestar muita atenção na proporção preço/peso. Antigamente, o peso padrão de bicoitos era 200 gramas, mas atualmente as oscilações variam entre 190, 180, 170 e até 160 gramas. Hoje mesmo (ontem), fiz uma fiscalização em supermercados e encontrei papel higiênico de 40 e de 30 metros. O que interessa para o Ipem, em termos de fiscalização, é que o conteúdo corresponda ao que está indicado na embalagem do produto. Mas o consumidor deve analisar que, se um produto tem 25% a menos de peso ou de medida, deveria custar 25% mais barato. Então, a correspondência quantidade e valor deve ser bem observada, orienta Brizzi. Os consumidores que notarem discrepâncias como essas ou outras, podem reclamar no Procon e denunciar os casos ao Ipem, para que seja feita uma fiscalização.
De acordo com Brizzi, o consumidor tem a liberdade de utilizar as balanças disponíveis no estabelecimento em que está fazendo compras para pesar os produtos e comparar o resultado com o que aparece na embalagem. Porém, nesses casos é preciso lembrar sempre de descontar o peso da embalagem. A de um saco de arroz, por exemplo, gira em torno de 10 a 20 gramas. Se o consumidor tiver dúvidas ou suspeitar de irregularidades em relação a pesos e medidas de produtos, deve ligar para o Ipem. O telefone é 231-2141, ressalta Brizzi.
De acordo com ele, existem produtos que não podem sofrer alterações fora das medidas determinadas para essas mercadorias. Entre elas estão a farinha de mandioca, que só pode ser acondicionada em 250g, 500g, 1kg e 2kg. Acima disso, o peso é liberado. O sal tem que estar em embalagens com peso de 100g, 250g, 500g e 1kg. Acima de um quilo, é livre. Os pacotes de feijão devem pesar 100g, 200g, 500g, 1kg, 2kg, 5kg ou mais. Um saco de arroz deve pesar 100g, 125g, 200g, 250g, 500g, 1kg, 2kg, 5kg ou mais. Também têm medidas e pesos determinados o álcool, água sanitária, cremes dentais, cereais, papel higiênico, sabão em barra e diversos outros.
Brizzi diz que são poucas as denúncias de irregularidades feitas ao Instituto devido à dificuldade dos consumidores se certificarem das distorções. Porém, de janeiro a julho deste ano, o número de autuações feitas pelo Ipem foi 10% maior em relação ao mesmo período do ano passado.