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Esportes radicais têm seguro facilitado

Redação
| Tempo de leitura: 4 min

Apesar de poucas seguradoras trabalharem com praticantes de esportes radicais, já existem empresas especializadas.

Ainda que os praticantes de esportes radicais, como pára-quedismo, rapel, mergulho e vôo livre, tenham dificuldade em conseguir seguro de vida devido à escassez de seguradoras que aceitem pedidos de esportistas do gênero, pouco a pouco o mercado nessa área tem se ampliado. Atualmente, já existem empresas especializadas em seguros para esportes de alto risco.

A maioria das seguradoras ainda coloca restrições e, dificilmente, aceita pedidos de seguro de vida para pessoas que praticam esportes radicais, de acordo com Silvana Esperanza, gerente de operações da AD Corretora de Seguros. Não são todas as seguradoras que aceitam. Elas se dão ao direito de excluir o praticante de esporte radical e, quando aceitam, agravam o preço em função do risco maior, disse.

Silvana explica que a pessoa que requer o seguro de vida deve fazer uma declaração prévia sobre o esporte que pratica e a freqüência. A empresa tem um prazo de 15 dias para avaliar se aceita o esportista como assegurado e para fornecer o preço estipulado, de acordo com o tipo de atividade. Não é um seguro de fácil aceitação. Quem aceita agrava o preço, afirmou.

Ricardo José Nunes, diretor da Helgo Paulista Corretora de Seguros, expôs que, em companhias internacionais, a aceitação de seguros para praticantes de esportes radicais é maior. As seguradoras acabam aceitando. Porém é analisado criteriosamente caso a caso. Normalmente, tem um agravante pelo risco, que aumenta o preço do seguro, salientou.

Pára-quedismo

Apesar das dificuldades, já existem casos de planos de seguro especiais para esportistas de alto risco. É o caso da Corretora Kalassa, de São Paulo, que desenvolveu uma apólice para pessoas que praticam pára-quedismo e outra que atende praticantes de todos os esportes radicais. A informação é de Paulo Kalassa, proprietário da corretora. Quando eu comecei a praticar pára-quedismo, eu senti a mesma dificuldade que hoje todo mundo tem. Na época, não tinha nenhuma empresa especializada. Eu acredito que eu seja a única, disse.

Kalassa trabalha com as seguradoras Porto Seguro e HSBC, com planos de cobertura total (que cobrem morte acidental, invalidez por acidente, invalidez por doença e morte natural) e planos que cobrem apenas acidentes relacionados a pára-quedismo. Os seguros podem ser feitos, inclusive, por um dia. O seguro exclusivo para pára-quedismo custa R$ 10,00 por mês. Hoje, as pessoas ainda têm dificuldade. Antigamente, ninguém tinha seguro desse tipo. Está melhorando, mas tem muito para crescer. Ainda tem muita seguradora que não quer nem ouvir falar nisso, disse Kalassa.

A Skydive Radical Center está em processo de implantação do seguro de vida para praticantes e alunos de pára-quedismo. Estamos estudando para colocar o seguro permanentemente, a partir do final deste ano, com a única corretora de seguros no Brasil que já está fazendo isso, que é a Kalassa. Nós estamos lançando um pacote turístico, chamado Pacote Radical, que terá seguro. No caso do pára-quedismo, a gente já fez seguros para eventos específicos. O esporte radical está sendo visto de maneira séria na região. Não tem mais aquele negócio de inconseqüente, afirmou o pára-quedista Paulo Assis.

Ele acredita que, apesar da aceitação desse tipo de seguro ainda ser difícil na maior parte das seguradoras, a tendência é de que esse campo se amplie no Brasil. Está mais fácil. Apesar de serem poucas as empresas que fazem isso, já estão sendo copiados os moldes adotados nos Estados Unidos e na Europa, disse.

O pára-quedista acredita que a estatísticas sobre os esportes radicais têm auxiliado na desmistificação da idéia de que o índice de acidentes é grande, principalmente no pára-quedismo. A facilidade das estatísticas nos esportes tem acabado com essa idéia de ser um negócio muito perigoso e de alto risco. Todos os esportes no Brasil, menos o mergulho, já têm seguro. Acredito que porque o mergulho dependa mais do físico das pessoas e não apenas dos equipamentos de segurança. Os equipamentos, hoje em dia são todos normatizados, têm vários itens de segurança que devem ser utilizados para que a pessoa tenha a cobertura do seguro. Se a pessoa estiver fora da norma, o seguro não vai cobrir. Isso minimizou absurdamente a chance de um acidente ou de um incidente, garante.

O seguro que está sendo adotado pelo praticantes da Skydive custa R$ 120,00 por ano para cobertura de R$ 100 mil em casos de invalidez e morte, além de diárias por incapacitação temporária. No caso do pára-quedismo, a pessoa praticando dentro da norma, com equipamento específico, utilizando local apropriado e aeronave apropriada, a chance do acidente é tão mínima que os valores do seguro estão bem baixos, explicou Assis. O esporte radical não é uma moda, ele está conquistando espaço. A segurança, evidentemente, é muito maior a cada ano, acrescentou.

O pára-quedista Ademir Donizete Rebelato, há três meses, adotou seguro de vida para pára-quedismo. Ele contou que já tinha um seguro de vida convencional de um banco estatal, mas que não cobria acidentes em esportes de alto risco. Eu não procurei antes porque sabia que não existia seguros desse tipo. A gente sempre tem uma preocupação porque tem família, filhos, disse.

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